Vencedora de um Emmy em 2013 na categoria de Melhor Telenovela, no dia em que se celebrava o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, "Lado a Lado" retrata a condição feminina em inícios do século XX. Esta telenovela terminou no Brasil a 8 de Março de 2013, por ocasião do Dia Internacional da Mulher. Em Portugal, está a ser exibida na SIC, estando já perto do fim. A luta pela emancipação feminina é veiculada pelas personagens Laura Assunção Vieira e Isabel Nascimento, representadas por Marjorie Estiano e Camila Pitanga, respetivamente.

Isabel Nascimento é uma negra, filha de escravos, apelidada de 'La Brazilieni', depois de ter conquistado os palcos de Paris com uma dança exótica, o Samba.

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Ela rapidamente choca as mentalidades conservadoras brasileiras da época por ser negra, rica e dançarina. Esta personagem é uma alusão a Josephine Baker, "célebre cantora e dançarina norte-americana, naturalizada francesa em 1937, e conhecida pelos apelidos de 'Vênus Negra', 'Pérola Negra' e ainda a 'Deusa Crioula'" (Wikipédia). No contexto português, faz-nos relembrar 'The Brazilian Bombshell', cantora e atriz luso-brasileira Carmen Miranda (1909-1955), natural do Marco de Canaveses, Portugal. Os seus figurinos viraram moda em Nova Iorque, e as grandes loja exibiam o "Miranda Look", e era a mulher mais bem paga de Hollywood, em 1945. Também como a personagem Isabel, Carmen era filha de um barbeiro.

Laura Assunção Vieira defende o direito à igualdade para as mulheres, chegando a escrever para um jornal sob o pseudónimo masculino 'Paulo Lima' para que os seus artigos fossem publicados, tal como havia feito 'George Sand', pseudónimo de Amandine Aurore Lucile Dupin (1804-1876), uma "aclamada romancista e memorialista francesa, considerada uma das precursoras do feminismo" (WP).

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'Nísia Floresta Brasileira Augusta' é o pseudónimo da escritora brasileira Dionísia Gonçalves Pinto (1810-1885), muito provavelmente a primeira mulher a publicar textos em jornais no Brasil. Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (1862-1934) foi escritora e abolicionista brasileira, casada com o poeta português Felinto de Almeida, tinha uma coluna própria no jornal "O País" e colaborou na revista "Brasil-Portugal". Ana de Castro Osório (1872-1935) escreveu o primeiro manifesto feminista português, "Mulheres Portuguesas" em 1905, e colaborou na elaboração da Lei do Divórcio em Portugal. Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911) foi médica e a primeira mulher a votar em Portugal, por ocasião das eleições da Assembleia Constituinte, em 1911, mas apenas em 1968 foi reconhecido o direito de voto político às mulheres. Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete (1867-1935), médica obstetra e ginecologista, reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto.

Haveriam muitas mais a destacar, mas o espaço aqui disponível não faz jus à importância das suas conquistas, numa altura em que o papel das mulheres era secundário.

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No desenrolar da novela, com o carimbo da Globo, assistimos à chegada da luz elétrica, do primeiro automóvel, do futebol (onde os negros não eram dignos de jogar), e também a grandes momentos da história brasileira como a revolta da vacina e a revolta da chibata. No início do século XX, a presença portuguesa faz-se notar pelo bacalhau servido no restaurante "Alheira" do Sr. Manuel, e pelos torresmos, sardinhas e bolinhos de bacalhau do bar "Guimarães".

A telenovela começou a ser exibida em Portugal em Setembro de 2014, estando agora perto do fim. Para quem não conseguiu assistir a "Lado a Lado", em particular devido ao horário tardio, os capítulos estão disponíveis online no site da Globo.

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