Mais uma candidatura a Património Nacional, desta vez concorre "Avieiros do Tejo e Sado", um povo e uma cultura que muitos não conhecem mas que mostra como outrora os pescadores sobreviviam quando o mar não lhes permitia o sustento. Avieiros, "nómadas do rio" ou simplesmente pescadores do rio, gente que encontrou no rio um meio de sustento em alturas em que o mar não lhes permitia governarem-se e obterem o seus meios de sobrevivência.

Mas quem é este povo? Os avieiros do rio foram os responsáveis por um movimento migratório dos mais importantes a nível nacional no século XIX e que finda no início do século XX. Pescadores que migraram para as margens do rio Tejo e Sado quando o mar era cruel com a sua profissão.

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Inicialmente instalaram-se nas margens do rio durante o inverno mas o crescimento de suas famílias fez com que passassem a adoptar estas terras ribeirinhas e a calma dos rios como suas. Inicialmente vindos de Vieira de Leiria mas mais tarde passaram a vir de toda a costa norte desde Espinho até à Vieira.

Mas neste povo não era apenas o homem que lutava, a mulher do pescador também tinha um papel bastante importante, não só como mãe de família mas também como acompanhante dos seus maridos pelo rio nas noites frias de inverno. Ou seja, enquanto o homem lançava as redes, era a mulher que dirigia o pequeno barco ao longo do Rio, remando, cantando e, quiçá, sonhando com uma vida melhor para a sua família, principalmente para os seus filhos. Aquando da sua chegada a terra era ainda a mulher que se ocupava da venda do pescado.

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Hoje encontramos um enorme legado deixado por esse povo, quer a nível cultural, quer a nível artístico e educacional. São estes os pontos chave que levam à sua candidatura a Património Imaterial Nacional, que deverá ser entregue até ao final de Junho de 2015. Mais tarde pretende concorrer a Património Imaterial da UNESCO, nessa fase a candidatura deverá ser apresentada pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

Ao viajarmos junto ao Tejo e Sado encontramos muitas dessas aldeias avieiras, quase desabitadas ou mesmo ao abandono. Aldeias constituídas por casas, inicialmente de canas e mais tarde habitações de madeira. Para os mais interessados temos ainda visitáveis as aldeias de Caneiras (Santarém), Arripiado (Chamusca), Valada (Cartaxo) e Escaroupim (Salvaterra de Magos), entre outras, e assim podemos imaginar a vida daquele povo de fracos recursos, analfabeto, mas rico em cultura.

Se hoje em dia vimos um povo Português formado, desempregado e pobre profissionalmente a lutar por uma vida digna além fronteiras, no início do século XIX vimos um povo analfabeto rico de tradições, a lutar pelo seu sustento dentro das fronteiras e nas margens de um rio que conta a sua própria #História, que esperemos que seja reconhecida mundialmente como Património da Humanidade e nos leve a recordar os Avieiros para Sempre.

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Aquele povo de casas sem recursos, casas de cana, onde o peixe do rio era a sua vida, uma vida que poderá ficar para sempre na história de um País, de um povo à beira rio plantado.