A descoberta dos restos mortais que podem ser de Cervantes, nome maior da literatura espanhola e mundial, aconteceu no bairro das Letras, em Madrid. Os investigadores escavaram o subsolo do convento das Trinitárias Descalças e encontraram na cripta restos mortais de, pelo menos, quinze corpos, incluindo aquele que acreditam ser o de Miguel de Cervantes. Após esta descoberta, a arqueóloga Almudena Garcia-Rubia declarou, num comunicado oficial, que face a toda a informação obtida, de carácter histórico, arqueológico e antropológico, pode considerar-se que entre os fragmentos deste achado estão alguns que pertencem a Cervantes.

A falta de certezas deve-se aos fragmentos ósseos serem mínimos, estando em mau estado, e ao facto de não ser possível fazer uma comparação de ADN porque não há descendência conhecida de Cervantes. Contudo, os indícios são fortes.

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Sabe-se que o escritor quis ser sepultado num convento, que a ordem das Trinitárias ajudou a pagar o resgate para libertar Cervantes quando foi capturado por piratas mouros, e que dezassete corpos, incluindo o de Cervantes, foram trasladados da igreja do convento para a cripta, durante as obras de ampliação do templo.

Para o antropólogo forense Francisco Etxeberria, há muitas coincidências que mostram que. no conjunto dos fragmentos de ossos que se encontraram na cota mais profunda da cripta da atual igreja das Trinitárias, pode estar representado Cervantes e as outras pessoas que foram transladadas de outro local do convento para este sítio.

Esta investigação começou há um ano, e em Janeiro já tinha sido encontrado um pedaço de madeira de um caixão com as iniciais "M"e "C", mas não se podia ter a certeza de que se trate, realmente, de Miguel Cervantes ou apenas de uma ilusão digna de Dom Quixote.

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Esta descoberta aconteceu numa altura em que se celebram quatrocentos anos desde a publicação do segundo volume de Dom Quixote. As autoridades já manifestaram o desejo de construir um monumento nesta igreja onde se pensa ter encontrado os restos mortais de Cervantes.