Milhares de anos depois da sua construção, o Stonehenge continua a criar fascínio naqueles que o visitam e a levantar as mais variadas teorias sobre as suas origens. Desta vez, o conceituado crítico de arte e antigo diretor de alguns dos maiores museus do Reino Unido Julian Spalding lançou uma nova perspetiva sobre o monumento megalítico. O Stonehenge tratar-se-ia de "uma antiga Meca em palafitas", publica o crítico no seu novo livro, disponível em abril, Realisation: From Seeing to Understanding - The Origins of Art.

Segundo Spalding, temos estado a olhar para o Stonehenge do ponto de vista errado: de baixo para cima.

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As grandes pedras seriam, então, o suporte de uma plataforma de madeira, em padrão circular, com a capacidade de suportar centenas de adoradores. "No início dos tempos, nenhuma cerimónia espiritual era realizada no chão. O Faraó do Egito e o Imperador da China eram sempre carregados - tal como o Papa costumava ser. Temos olhado para o Stonehenge de uma pespetiva moderna, ligada à terra. Todos os grandes altares elevados do passado sugerem que as pessoas que construíram o Stonehenge nunca realizariam uma cerimónia celestial na humilde terra. Seria inimaginavelmente insultuoso para os seres imortais, pois trá-los-ia para baixo dos céus para pisarem o esterco".

Spalding não recebeu, contudo, a aprovação total dos seus pares. O Professor Vincent Goffney, investigador principal do Projeto Paisagens Escondidas do Stonehenge, e o professor emérito de Arqueologia Europeia da Universidade de Oxford Sir Barry Cunliffe não se mostram convencidos.

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Por sua vez, o arqueólogo e autoridade nos círculos pré-históricos Aubrey Burl afirma que "pode haver aí qualquer coisa. Qualquer coisa nova e interessante sobre o Stonehenge vale a análise, mas com cuidado e consideração.

Localizado em Wiltshire, no sul de Inglaterra, o Stonehenge foi construído entre 3000 e 2000 a.C. e é, desde 1986, considerado Património Mundial pela UNESCO. A sua razão de existir ainda é desconhecida, tendo levantado uma série de teorias, desde tratar-se de um cemitério, um calendário, um local de cura a um terreno de caça ou um monumento cerimonial, apenas para destacar algumas. A falta de evidências leva a que esta nova teoria, sem dúvida, refrescante não passe de mais um item na vasta lista de conjeturas em torno do monumento megalítico. #História