O escritor português José Saramago foi homenageado no passado sábado em Washington, no âmbito da mostra cultural "Iberian Suite: Arts Remix Across Continents". A cerimónia, realizada no Kennedy Center, contou com a presença de vários escritores de nomeada, como Laura Restrepo, da Colômbia e  Adriana Lisboa, do Brasil e ainda de Pilar del Ríu, viúva do Nobel e presidente da Fundação José Saramago.

O Kennedy Center é o maior centro cultural dos Estados Unidos e até dia 24 é palco de uma exposição artística e cultural com obras oriundas exclusivamente de Portugal e Espanha. À entrada do edifício encontra-se exposto um projecto artístico dos arquitetos portugueses Siza Vieira e Souto de Moura, denominado “Jangada de Pedra”, inspirada na obra homónima de José Saramago, de 1986.

José Saramago é, até à data, o único escritor português vencedor do Prémio Nobel da #Literatura, galardão atribuído em 1998. Três anos antes havia já sido agraciado com o prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Céptico nato e polémico pela sua visão particular da sociedade, Saramago chegou a integrar o Partido Comunista e a direcção do Diário de Notícias. Em 1992 cria a Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC) em conjunto com outros companheiros de profissão, como Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues. Em 2007 estabelece a Fundação José Saramago para a defesa e divulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos problemas do meio ambiente.

Com dezenas de obras publicadas, a maior parte romances em prosa, o escritor é hoje considerado um das personalidades responsáveis pelo reconhecimento internacional da literatura portuguesa. Da totalidade dos títulos editados, são especialmente célebres as obras "Memorial do Convento", "Evangelho segundo Jesus Cristo", "Ensaio sobre a Cegueira" e "Claraboia", esta última lançada postumamente, em 2011. José Saramago faleceu no verão de 2010, vítima de leucemia crónica.