Herberto Helder tinha 84 anos e era tido como o maior poeta português da segunda metade do século XX. Morreu ontem, em Cascais, e as causas da sua morte não são ainda conhecidas. A família do poeta, que sempre se quis manter oculto durante a vida, já fez saber que não serão dadas quaisquer informações sobre as cerimónias fúnebres. Nascido em 1930, no Funchal, era pai do comentador político Daniel Oliveira.

A última obra do poeta, A Morte Sem Mestre, foi publicada em 2014, pela Porto Editora, e vinha acompanhada de um CD com cinco poemas declamados pelo poeta. Em 1994, o poeta foi distinguido com o prémio Pessoa, pela sua obra, que o júri considerou iluminar a língua portuguesa.

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No entanto, o autor recusou aceitar um dos prémios mais importantes atribuídos em Portugal. Solicitou ao júri para que não o anunciassem e entregassem o prémio a outro nomeado.

Herberto Helder frequentou os cursos de Direito e de Filologia Românica, não tendo, no entanto, concluído nenhum dos dois. Colaborou com vários jornais, nomeadamente com o Jornal de Artes e Letras, e em 1969 foi director literário da Editorial Estampa. Também foi bibliotecário, tradutor e apresentador de programas de rádio. Os seus cinquenta e sete anos de poesia estão reunidos em várias obras poéticas: Vocação animal (1971), A cabeça entre as mãos (1982) e Servidões (2013) são algumas delas.

Herberto Helder sempre manteve a sua vida longe do mediatismo que envolve alguns vultos da literatura. Permaneceu sempre à margem dos acontecimentos públicos de lançamentos de #Livros e venda de livros. Não dava entrevistas, não aparecia em público e tinha um carácter assumidamente misantropo. A sua linguagem poética começou por se situar no surrealismo, mas também se aproxima do universo da alquimia e do misticismo.

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O poeta foi ainda repórter de guerra em Angola e, em 1973, foi para os Estados Unidos, onde publicou Poesia Toda, uma compilação de toda a sua produção poética até àquela altura. Só regressou a Portugal depois do 25 de Abril e já em 1975. #Personalidades