A visibilidade mediática oferecida pelos "padrinhos" Pedro Abrunhosa e Valter Hugo Mãe, duas personalidades fora da temática das artes plásticas, e de acordo com o diretor da Bienal, o jornalista e artista plástico Agostinho Santos, tem exatamente esse objetivo. O de abrir o mundo das artes ao mais comum cidadão e colocar Vila Nova de Gaia e a Área Metropolitana do Porto definitivamente no "mapa das artes". Apesar dos tempos de crise, salienta Agostinho Santos, avançar com esta iniciativa é um ato de bom senso e de justiça para com os artistas de Gaia, onde pontificam nomes como Diogo Macedo e Teixeira Lopes.

Mas ao longo dos anos a tradição manteve-se e, hoje, a Cooperativa Artistas de Gaia - criada em 1985 - conta com cerca de 500 artistas de todo o país, sendo que, depois de anunciada a Bienal no princípio do ano, já se registaram mais de 30 pedidos de adesão. O sonho do evento já tem mais de 20 anos, sendo curioso que a data de abertura da 1.ª Bienal - 11 de Julho - é exatamente o dia da fundação da Cooperativa. O toque definitivo partiu da consonância de pontos de vista entre Agostinho Santos e o atual Presidente da Câmara de V. N. de Gaia, Eduardo Vitor Rodrigues, sendo o Município o principal patrocinador com cerca de 40 mil euros. Mas há igualmente o apoio do Instituto do Vinho do Porto que vai apresentar o Vinho da Bienal.

Homenageados vão ser Jaime Isidoro e José Rodrigues com duas Mostras Antológicas, sendo curadores os filhos Daniel e Ágata, destacando-se entre as novidades uma exposição de inéditos eróticos do mestre José Rodrigues e outra com desenhos da sua coleção particular. Os Jovens Artistas terão também o seu espaço, tal como a Arte Religiosa no Mosteiro de Grijó e exposições de Ilustração e de Livros de Artista. O Fotojornalismo será outra das novidades desta 1.ª Bienal de Arte Contemporânea de V. N. de Gaia, sendo curador Pereira de Sousa, e uma Mostra alusiva ao Douro - itinerante - viajará até à segunda edição. A Marina de Canidelo, na Afurada, será o ponto de partida.

Entre as 15 exposições patentes, o destaque vai naturalmente para a do Concurso, aberta a todos os artistas nacionais ou estrangeiros residentes em Portugal, cabendo ao júri de seleção atribuir o prémio da Bienal no valor de €5.000,00. O Presidente da Câmara, Agostinho Santos, Albuquerque Mendes, Francisco Laranjo e Zulmiro Carvalho terão igualmente a responsabilidade de atribuir o Prémio Jovem "António Joaquim", no valor de €1.500,00 - valor idêntico ao que vai premiar a melhor reportagem sobre a Bienal. No geral, poderão ser apreciadas mais de 200 obras de vários artistas, sendo convidados entre 50 a 60, nomeadamente Nadir Afonso, Júlio Resende, Graça Morais, Jaime Isidoro e José Rodrigues.