O Santa Maria Summer Fest, em Beja, é cada vez mais uma das propostas obrigatórias no que diz respeito à #Música extrema no nosso país. O cartaz para a sexta edição já está fechado e mais uma vez conta com alguns nomes internacionais de peso e com a contínua aposta no que é nacional. Do estrangeiro chegam bandas como The Varukers, Warhammer, Despise You, Northland, enquanto no espectro nacional temos o regresso dos Corpus Christii e dos Midnight Priest enquanto Theriomorphic e os Revolution Within estarão presentes no festival pela primeira vez. As expectativas são boas e o festival além de ser já uma romaria nacional, atrair fãs de todos os cantos do país, também consegue já chegar lá fora, com bilhetes a serem vendidos para França, Suécia e até Eslovénia. 

A sua primeira edição remonta a 2010, onde, ainda com outra designação e de forma muito humilde, oferecia um cartaz com apenas 4 bandas nacionais e com entrada livre, uma das características das primeiras edições.

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O crescimento foi gradual de edição para edição, sendo que na segunda, já com a designação de S.M.S.F., aumenta o número para 9 bandas. No ano seguinte é quando se dá um salto, com o aumento para 2 dias e para 12 bandas, numa edição que, apesar dos problemas climatéricos, foi considerada um sucesso. mas foi em 2013 que a ambição foi maior e o festival ficou com 3 dias, trazendo pela primeira vez bandas estrangeiras, uma aposta ganha que foi recompensada com bons números ao nível de assistência. Como estagnação é algo que não faz parte do conceito do S.M.S.F., 2014 viu a quinta edição a aumentar em muito a sua oferta com mais bandas, mais um palco e apesar de ter sido o primeiro ano em que a entrada não foi grátis, manteve um preço bastante acessível.

No entanto, mais do que ser uma forma de celebração da música extrema no nosso país – apostando em muitas bandas nacionais – com um preço bastante reduzido, é também importante referir o impacto que o S.M.S.F. tem na vida económica da cidade.

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Numa altura em que falamos da desertificação do interior e em que o Alentejo é um eterno sacrificado em termos de apostas de investimento, um evento como este é muito bem recebido por todo o comércio local, que o encara como uma verdadeira lufada de ar fresco. Sem falar no apoio dado à delegação de Beja da Cruz Vermelha Portuguesa, que é sempre uma constante, com doação de parte dos lucros.

Mais do que uma aposta pessoal pelos seus organizadores, este festival é a prova de como é possível em Portugal apostar na cultura sem que se façam festivais megalómanos em Lisboa ou Porto com nomes de marcas de telecomunicação, sem que se tragam constantemente (e de forma cíclica) os mesmos nomes, ano após ano. Com a conjugação da paixão e vontade por algo e a capacidade de luta para reunir vários apoios (como a Cultur+ e os apoios autárquicos), sem deixar de referir o considerável investimento pessoal por parte da organização, é possível termos um festival de três dias, com (muitos) nomes internacionais e nacionais de valor, por um preço não superior a quinze euros, com boas condições de alojamento, inclusive um parque de campismo inteiramente grátis para quem tem o bilhete para os três dias.

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Quem sonha faz acontecer, algo que sem dúvida faz falta não só ao Alentejo ou ao interior, ou sequer na àrea da cultura e entretenimento, mas a Portugal como um todo. Os bilhetes para os três dias custam 12 euros até 31 de Maio e 15 euros no próprio local. O festival vai-se realizar de 12 a 14 de Junho.