Steve Jobs é como uma cebola: homem de várias camadas que têm de ser descascadas para chegarmos ao seu interior mais íntimo. Daí existirem, desde a sua morte, inúmeras obras dedicadas ao fundador da #Apple com abordagens diferentes sobre este génio da tecnologia. Este ano virão a público algumas, sendo que "Steve Jobs: The Man In The Machine", de Alex Gibney, já estreou. Este filme descreve-o como um homem extremamente inteligente, mas sem empatia pelo ser humano.

Gibney é um realizador já reconhecido por obras como "Taxi to The Dark Side" e "Mea Maxima Culpa". Com produção do canal CNN, o norte-americano estreou este fim-de-semana, no festival SXSW (South by Southwest), no Texas, Estados Unidos, o documentário sobre o empresário.

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Depois do filme "Jobs", protagonizado por Ashton Kutcher, muito publicitado na altura e que acabou por ser um fracasso, "Steve Jobs: The Man In The Machine" parece ter sido bem recebido pela crítica. Talvez por mostrar o génio como um homem imperfeito, à semelhança de todos os seres humanos: revelando defeitos que serão já conhecidos pelos fãs acérrimos de Jobs, mas que o público em geral desconhecerá.

De terminar programas filantrópicos da Apple, a pagar uma miséria a trabalhadores chineses responsáveis pela produção de iPhones, a evasão fiscal: são muitas as atitudes que podem ser condenáveis reveladas por Alex Gibney. Explicadas talvez pelos fantasmas e traumas de Steve Jobs, como o facto de ter sido adoptado. Justificações à parte, a verdade é que por detrás desta mente genial parecia não existir qualquer tipo de compaixão: o milionário chegou a negar a paternidade da sua filha, Lisa, para fugir à pensão de alimentos numa altura em que a Apple já valia milhares.

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Uma crítica do jornal "The Guardian" ao filme é bastante elucidativa quanto às conclusões do mesmo sobre Steve: "Jobs era uma força de vida fabulosa, com tanto significado que será provavelmente estudada durante séculos, e Gibney não desvaloriza o seu génio. (...) o filme disseca de forma forense as contradições, a falta de escrúpulos, e o condenável comportamento desprovido de sentido que revela que os ideais da Apple são uma farsa, mesmo que os seus produtos continuem a provar serem quase irresistíveis".

"Steve Jobs: The Man In The Machine" é, portanto, um filme de reflexões fortes que compara Steve Jobs a Charles Kane, personagem principal de "Citizen Kane": um homem-criança com traumas focado no sucesso profissional, que seguramente atingiu, mas com poucos valores morais. É uma nova perspectiva sobre uma das mentes tecnológicas mais admiradas de sempre, que provavelmente criará alguma controvérsia entre o público: principalmente entre os seus fãs dedicados. #Filmes #Personalidades