António Barros, artista performer madeirense, autor de referência da Poesia Experimental Portuguesa, participa, como artista convidado, no festival internacional onde Joseph Beuys construiu muito da sua obra. Trata-se do "Fifth Free International Forum", considerado único no mundo, a decorrer entre 26 e 30 de junho, em Bolognano. E não podia ter melhor pano de fundo: as montanhas de Pescara perto de Roma.

O festival homenageia Joseph Beuys, assim como ressalva a memória da vida criativa de Patricia Zari e Massimo Riposati. É presidido por Arturo Schwarz, grande personalidade da Filosofia da Arte, responsável pelo corpus teórico do surrealismo e muito amigo de Max Ernest, Man Ray, Dali, Duchamp. A curadoria está a cargo de Lucrezia de Domizio Durini e, a direção, de Emanuel Dimas de Melo Pimenta.

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A falta de verba obriga ao voluntariado dos artistas, e de outros profissionais, que se deslocam para  Bolognano pelos próprios meios, por amor à arte e a Joseph Beuys (1921-1986) no ano em que se comemoram 29 anos do falecimento do mestre alemão que produziu escultura, fluxus, happening, performance, vídeo e instalação. 

A obra de António Barros (n. 1953), de sensibilidade fluxista, convoca a Escultura Social de Joseph Beuys, pelo que não podia deixar de ser convidado para este grande momento histórico onde apresenta dois vídeos: "River" (Lisboa, 2012) uma peça criada em homenagem a Jorge Lima Barreto, para apresentar no MusicBox. Produzida conjuntamente com a portuguesa Augusta Villalobos, regista um barco de navegação rural a afundar-se no rio Mondego; e "DePur(o)Ar" (Paris, 2014), com voz da italiana Rita Cimino, que resulta do gesto evocativo da vida e obra de Julian Beck que, com Judith Malina e o Living Theatre, em 1977, cria uma performativa escultura social

Não obstante a crise cultural, intelectual e moral que se faz sentir, o festival continua a realizar-se com grande esforço dos artistas que acreditam na criatividade livre segundo princípios fundamentais da humanidade e da mãe-natureza.

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Em 2015, a organização decidiu dar ao projeto a nota conceptual do número 5 com uma reflexão sobre os conteúdos simbólicos de Beuys no trabalho OLIVESTONE. E, aliás, o 5 é um número que simboliza mudança. #Artes