Em 2015, a Quinta de Villar d'Allen detém o título de criar e exibir a 'Melhor Camélia' de Portugal, premiada na Exposição de Camélias que esteve patente ao público, em março, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto. Villar d'Allen ficou mesmo à frente do Jardim Botânico do Porto, que obteve o segundo prémio, o que não é de admirar. E porquê?

A quinta conta com cerca de 600 camélias (adultas), estando entre as três maiores coleções do País. O espólio de cameleiras e japoneiras que cercam o jardim já figurava na escritura da propriedade. O primitivo jardim paisagístico de influência inglesa, difundido pela Europa ao longo do século XVIII, foi construído em Villar d'Allen, por João Allen, em meados do século XIX.

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Depois, foi transformado pelo filho Alfredo Amsinck Allen, Vereador da Câmara do Porto no Pelouro dos Jardins, entre 1866 e 1869, e o maior entusiasta da comissão organizadora do Palácio de Cristal.

O jardim de Villar d'Allen acaba por sofrer a intervenção do paisagista Emílio David (1839-1873), convidado a conceber os jardins do Palácio de Cristal. Esta obra coincide com a transformação da quinta do Freixo em jardim e, assim, os ambientes paisagísticos vivem da atmosfera de uns e de outros. Não obstante, Alfredo Allen dar seguimento às ideias românticas do pai aquando da aquisição da propriedade em 1839.

Villar d'Allen pode ser considerado um autêntico parque botânico, praticamente esquecido, com flora local e exótica. Deve ser entendido como uma coleção botânica de #História Natural.

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O arvoredo monumental que envolve a casa não nos impede de apreciar a arquitetura setecentista que, ora se esconde, ora se revela, por entre a folhagem. Aos espécimes naturais associam-se objetos decorativos, como vasos graníticos, fogaréus no passeio da cascata, bancos e ruínas localizadas no bosque, os quais despertam mistério. Um passeio único. Por isso, se organizam visitas aos jardins e à casa que a família disponibiliza para eventos culturais até 50 pessoas.

Quando esta foi adquirida pelo negociante e colecionador João Allen era constituída por habitação e fábrica de curtir sola. João Allen deu à casa o aspeto romântico da moda, como testemunham os dois corpos laterais rematados por par de torreões, com duas janelas de cada lado, com reminiscências da Idade Média. A casa conserva, há quase 200 anos, os ambientes decorativos românticos intervencionados, no final do século XIX, por Alfredo Allen, que preserva a estrutura com traço de João Allen e alguns recursos decorativos. Só os têxteis e conjuntos de mobílias foram substituídos.