Diz Paulo Loução, um dos poucos autores/investigadores que se debruçam sobre a temática templária, que "Os leigos podem achar a cidade fotogénica e acolhedora, mas sem leitura simbólica, Tomar é como um filme sem legendas". A isto, o professor acrescenta que "tudo o que é magia se visita em Tomar". De facto, assim é. Tomar conserva ainda todas as suas características de cidade medieval, capital do manuelino, um estilo gótico tardio que se mistura com o românico do início da nacionalidade.

A par desta arquitectura, a história do nascimento de Tomar está intimamente ligada à formação da nacionalidade portuguesa, com a chegada dos cavaleiros Templários a Portugal, trazendo consigo uma missão muito específica: a de criar um novo reino que desse "novos mundos ao mundo".

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Não é por acaso que Tomar foi, inúmeras vezes, sede do reino, tal como não foi por acaso que Filipe de Espanha, aquando da sua tomada de posse como rei de Portugal, tenha escolhido Tomar para essa tomada de posse.

Em termos de simbologia templária e de criação do reino, Tomar é, sem dúvida, a cidade mais importante de Portugal. Daí que uma visita, através de todo o simbolismo que ela encerra, se torne em algo de extraordinário que nunca mais se esquecerá. A título de exemplo, o leitor saberá, porventura, que o castelo de Tomar tem a configuração da constelação do Boeiro e que, com base na Charola (um inquietante espaço também pela simbologia que encerra e pela beleza que possui), este castelo é um verdadeiro observatório celeste?

A temática templária remete-nos, de per si, para um mundo mágico, de destemidos monges guerreiros.

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Mas é em Tomar que essa magia se vive com maior intensidade, porque esta é a cidade do mundo que melhor preserva as suas características iniciais, concebida em cruz e desenvolvendo-se em torno deste núcleo onde, em tempos, viveram em paz, cristãos, judeus e muçulmanos, no respeito mútuo, percebendo já então (e muito mais profundamente que hoje) a máxima do "todos diferentes, todos iguais" movidos por algo que se sobrepunha. Parte desse 'algo' continua a celebrar-se, de quatro em quatro anos em Tomar, aquando da Festa dos Tabuleiros, também ela uma ode de encanto e magia que é preciso compreender para que se possa integrar no todo deste Portugal que, segundo Fernando Pessoa, o mais esotérico e universalista dos nossos poetas, "falta cumprir"... #Turismo