O filme "Yetu - A Nossa #Música" será exibido este sábado, 11 de Abril, no âmbito do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que está a decorrer em Lisboa, no Cinema São Jorge. A autora, Ulika Paixão Franco, diz tratar-se de uma oportunidade rara de os espectadores verem o seu projecto. Um documentário que foi financiado pelo Banco de Desenvolvimento de Angola. O projecto de documentação inclui um filme (DVD), um triplo CD e um catálogo, e integra a colecção privada do Banco de Desenvolvimento de Angola. Este pretendeu, sobretudo, honrar os músicos, dando-lhes atenção, por não terem muitos apoios públicos.

"Yetu - A Nossa Música" resulta de um trabalho de pesquisa de vários anos, tendo sido concluído em Setembro do ano passado. Envolveu uma equipa luso-angolana e teve como objectivo documentar a música de Angola registada no século XX, uma riqueza muito particular que influenciou muito a música do Brasil e a música portuguesa, como afirma Ulika Franco. A pesquisa incluiu imagens de arquivo, entrevistas a músicos e especialistas, como historiadores, tendo sido descoberta uma música urbana angolana, considerada a primeira gravação de músicos angolanos, datada de 1940.

Dos vários entrevistados que surgem no documentário, encontram-se os portugueses Paulo de Carvalho, Manuel Freire e Francisco Vasconcelos, da Valentim de Carvalho, para além de Nástio Mosquito, Eduardo Nascimento e Aline Frazão. Conta ainda com Bana e André Mingas, nomes da música angolana com projecção internacional.

Ulika Paixão Franco enaltece o apoio dado pelo Banco de Desenvolvimento de Angola e entende que o projecto irá contribuir para que entidades privadas apostem mais no financiamento da cultura angolana, reduzindo, desta forma, uma dependência do Estado. O trabalho envolveu uma equipa multidisciplinar, quer para a pesquisa documental, quer ao nível da reportagem, que implicou deslocações no território angolano, com destaque para as províncias de Luanda, Malanje, Benguela, Namibe, Lunda Norte, e por terras portuguesas como Lisboa, Porto, Coimbra e Leiria, para além de outros países, com destaque para França e Áustria.

Ulika Paixão Franco é licenciada em Comunicação e Cultura, e em Filosofia, pela Faculdades de Letras da Universidade de Lisboa e pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, respectivamente. Em Portugal tem um percurso profissional em várias instituições, como a Presidência do Conselho de Ministros, a Câmara Municipal da Amadora e o Instituto da Comunicação Social. Colaborou, ainda, com diversas publicações e integrou a Estrutura de Missão para a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia. É consultora de Comunicação e Relações Públicas.