Com uma longa vida, pautada pela sétima arte, Manoel de Oliveira abandona-nos hoje, mas certamente que será eterno na memória de todos nós, especialmente os portugueses. Considerado o cineasta português mais antigo do mundo, Manoel de Oliveira realizou a sua primeira curta-metragem, em 1931, intitulada de Douro - Faina Fluvial. Desde então foram muitas as suas contribuições para o enriquecimento do #Cinema, contando com mais de 40 filmes.

Apesar da sua enorme paixão pelo que fazia, Manoel de Oliveira também refletia sobre as condições precárias, em Portugal, na realização de filmes, e não se coibia de se expressar. Numa entrevista, em 2010, ao jornal O Público, em jeito de defesa do cinema português, o mestre do cinema português dizia: "Eles, como eu, sempre viveram na precariedade e na insegurança, sem reforma nem subsídio de desemprego, e sem nunca sabermos se não estaremos a fazer o nosso último filme. Eles, como eu, só temos um desejo: todos ambicionamos morrer a fazer filmes".

Manoel de Oliveira fora sempre presenteado por um misto de emoções, ao longo da sua carreira. Entre a desatenção das plateias portuguesas, o cineasta era aplaudido e aclamado no estrangeiro, nomeadamente em França e Itália. Apesar de se ter iniciado como ator, Manoel de Oliveira confidenciou, uns anos mais tarde, aquando da realização da longa-metragem Aniki-Bóbó, em 1942, que "nunca fui lá grande ator". Ao longo da sua vida, o génio do cinema português aliava o cinema ao prazer de realizar curta-metragens para os amigos, com a gestão da empresa do seu pai e o cultivo da vinha no Douro. O seu segredo para manter uma vida longa era ter um quotidiano ativo.

Para além de dar cartas no cinema, Manoel de Oliveira teve uma outra faceta: a carreira desportiva. O cineasta, nos seus tempos áureos, chegou a conquistar o terceiro lugar, no circuito da Gávea, no Rio de Janeiro. Aos 105 anos, Manoel de Oliveira apresentou, ao público, o seu último filme, O velho do Restelo, que teve estreia mundial no Festival de Veneza.

Esta quinta-feira, dia 2 de Abril de 2015, Portugal diz adeus a uma figura incontornável e respeitada do cinema português. Manoel de Oliveira, considerado por muitos o génio da sétima arte, reconhecido no nosso país e além-fronteiras, partiu no conforto do seu lar. Ao longo da sua vida trabalhou sempre conduzido por uma energia inacabável. Morreu Manoel de Oliveira, o mestre que "realizava os filmes por gosto de os fazer".