Classificado como Imóvel de Interesse Público, o Paço de São Cipriano prima pelo jardim neobarroco raro onde se organizam hoje visitas guiadas para grupos. A #História desta propriedade remonta à fundação de Portugal, nela se encontrando ainda vestígios de construções românicas ou pré-românicas. Começa por pertencer na sua origem à Ordem de São Francisco, sendo aforada por três vidas em 1415, ano em que a família Cibrão toma posse. A zona da torre medieval está reservada ao turismo desde 1983.

Por ser casa com honra ao tempo de Domingos Gonçalves Cibrão (1704-1798), nela é reedificada a Capela de Santo António, com retábulo barroco, cuja licença de construção é concedida pelo arcebispo primaz D.

Publicidade
Publicidade

Gaspar de Bragança em 1758. Domingos Cibrão aumenta consideravelmente as propriedades e faz obras na casa que chegam ao século XIX. É também em finais de Setecentos que os Cibrão se ligam, por casamento, aos Santiago e, já nos finais do século XIX, aos Sottomayor.

Em cerca de 1898, Dinis Santiago - o último morgado da casa - vende a quinta ao único irmão João Santiago, senhor da Casa de Santiago em Leça da Palmeira, erigida segundo projeto assinado pelo arquitecto veneziano Nicola Bigaglia. O Paço de São Cipriano, que ganha o nome em memória dos paços medievais, tem algumas semelhanças com a casa-museu de Leça traçada por Bigaglia. Prova de que o arquitecto veneziano dá apoio a João Santiago na reconstrução desta casa, estando já em acabamentos na de Leça.

João Santiago opta por reconstruir o edifício vimaranense à maneira de D.

Publicidade

Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, utilizando peças arquitetónicas originais de épocas remotas. Tais como as três janelas manuelinas que formam a Casa da Manteiga construída, no meio do jardim, para uma pausa junto à fonte barroca. Os ecos e aromas do jardim entram para os ambientes da casa decorada com diferentes estilos revivalistas que vão até à Idade Média (e antes), do mudéjar ao rococó. As salas principais ligam-se todas à varanda que une os interiores ao jardim com labirinto de buxo povoado por camélias, azáleas e gardénias.

Este jardim neobarroco está, também, classificado por não ser vulgar o comprimento, espécies usadas na topiária, espessura, idade e altura dos buxos. Se o desenho dos dois terraços de topiária é caraterístico do século XVIII, o buxo encimado por grandes bolas e pirâmides sugere a estética do século XVII.