A obra Cartas de Paris (1908), com dois tomos, surge após o encontro em Coimbra, no ano de 1902, dos netos do escritor António Augusto Teixeira de Vasconcellos (1816-1878) com António Albino d'Andrade. Como correspondente de vários jornais do falecido jornalista diplomata, possuía uma coleção de folhetins de vários escritores, onde havia muitos de Teixeira de Vasconcellos, sendo diversos assinados com os pseudónimos Nabucodonosor, Nabucodonosor Senior e Izabel de Grobois (quando escrevia a propósito de modas).

O livro Cartas de Paris apresenta escritos de Teixeira de Vasconcellos, dispersos por inúmeros jornais que dariam mais de cem volumes. O livro imprime-se, mas não se publica.

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Não entra no mercado, servindo antes como uma memória de família. Faz-se apenas uma tiragem de 60 exemplares, para os parentes do falecido escritor e para limitadíssima oferta a algumas bibliotecas e a amigos íntimos.

Teixeira de Vasconcellos é uma figura polémica, no meio aristocrático, até porque considera a preguiça o maior de todos os males e o trabalho o bom remédio. Isto, numa altura em que a fidalguia era educada a não sujar as mãos (e mais sendo fidalgo dos quatro costados). Multifacetado, experiente e viajado, chega a revelar-se emotivo como escritor, transportando as suas vivências para o papel. A obra acompanha a vida.

Em Cartas de Paris, apercebemo-nos de referências ao passado familiar como ao presente (ou passado próximo), e ainda aspetos da vida dos parisienses e portugueses que admiram a cidade da luz e seguem a moda que a capital de França dita em finais do século XIX.

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Uma das curiosidades que Teixeira de Vasconcellos refere é a grande mania parisiense de formar álbuns com fotografias chamadas cartas de visita. Vendem-se os álbuns já com as folhas preparadas com dois quadros em cada uma, de forma que se podem colocar quatro fotografias enchendo duas páginas. Há coleções de homens políticos, militares, atores e atrizes, pintores e todas as celebridades. Os álbuns, com os retratos das atrizes, cantoras e bailarinas, são os que se vendem melhor. De portugueses parece que são mais vistos os retratos de Saldanha, visconde da Luz e visconde de Paiva. #Livros #Literatura