O realizador mais velho do mundo morreu esta quinta-feira, aos 106 anos. Filmou até aos 105 e mesmo assim, há pouco tempo, confessou que o tempo lhe faltou para os seus inúmeros projetos. Manoel de Oliveira teve uma vida surpreendente, controversa e repleta de momentos marcantes. Aquele que se tornou o mais velho realizador em atividade do mundo, logo nas primeiras duas décadas de vida foi campeão nacional de salta à vara, atleta de alta competição, automobilista e ainda conciliou tudo isto com uma vida boémia nos loucos anos vinte, no Porto.

Aos 18 anos o #Cinema falou mais alto, sendo que, a princípio este parecia ser apenas um passatempo para este filho de boas famílias tradicionais do Porto.

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Aproveitou a estadia de um cineasta italiano na invicta para se estrear. Primeiro como figurante e depois como ator no filme "A Canção de Lisboa".

Aos 23 anos realiza a primeira curta-metragem intitulada "Douro, faiva fluvial". Aos 33 anos, realiza a primeira longa-metragem, Aniki Bobo, que ele reclamou como sendo o primeiro filme neo-realista da história. Esta foi um fracasso de bilheteira, tendo empurrado Manoel de Oliveira para as quintas do Douro e para os negócios da família.

Finalmente, aos 46 anos o cinema volta a chamá-lo. Vai estudar para a Alemanha e no regresso faz o primeiro filme português a cores e inaugura o chamado estilo Oliveira que se caracteriza por planos longos, representação teatral, temas literários e religiosos. A princípio os seus filmes foram mal entendidos em Portugal, contudo eram aplaudidos nos festivais internacionais.

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"Acto da Primavera, "A Caça" e "O Passado e o Presente", refletem uma incomodidade perante o regime fascista e a polícia política que o deteve numa sessão no Porto.

Desde 2001 que era o mais velho realizador do mundo em atividade. Quando dobrou o centenário, o país adoptou-o pela longevidade naquilo que o próprio dizia ser um capricho da natureza. A partir desta altura, a saúde pregou-lhe as partidas da idade mas Oliveira regressava sempre, por exemplo, para assistir em pessoa à exposição alusiva dos 105 anos de idade, e no final do ano passado, para receber a Legião de Honra, distinção do governo francês no dia em que estreava no cinema aquele que viria a ser o seu último filme.

Manoel de Oliveira continuava com planos de filmar. O último projeto era um filme promocional, mas a lei da vida não permitiu. Com dificuldades respiratórias desde segunda-feira, morreu em casa nesta manhã de quinta-feira santa, no Porto. #Famosos