O mais velho cineasta do Mundo em actividade morreu esta quinta-feira aos 106 anos. No currículo conta com cerca de 40 filmes. Atravessou quase todo o século XX e era também ele parte da história do #Cinema. Era uma figura incontornável para o cinema português e internacional, mas também para a história do século XX.

Nasceu no Porto, em 1908. Portugal vivia então uma Monarquia, debaixo do poder régio de D. Manuel II. Cresceu num ambiente de instabilidade política em Portugal, chegou à idade adulta durante o Estado Novo. Era uma criança quando começou a Primeira Guerra Mundial, e um adulto aquando da segunda. Quando se estreou no cinema, a sétima arte ainda não conhecia o Mundo colorido.

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Os filmes eram a preto e branco, e foi assim que se estreou com "Douro - Fauna Fluvial", um filme mudo e a preto e branco. Viu cenas dos seus trabalhos serem censuradas pelo então regime de Salazar, e, mais que isso, viu-se preso nos calabouços da PIDE durante dez dias, por ter introduzido diálogos nos seus trabalhos que iriam contra o regime autoritário que se vivia em Portugal.

Em 1982, fez o primeiro documentário autobiográfico, já com muito para contar. O documentário está cheio de confissões e memórias. O cenário foi a casa onde viveu grande parte da sua vida, desde 1940. Era vontade de Manoel de Oliveira que o trabalho só fosse exibido depois da sua morte. A partir da década de 90, levou uma vida retirada das luzes da ribalta, mas nunca esquecido pelo público português.

Em 2008, aquando do centenário do seu nascimento, a comunicação social não deixou de lembrar a data importante, fazendo longas reportagens sobre a sua, também longa, existência.

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No ano passado, na data do seu 106º aniversário, a 11 de Dezembro, o cineasta voltou ao activo e estreou a curta-metragem "O Velho do Restelo". O último trabalho de Manoel de Oliveira teve estreia mundial no Festival de Veneza. Em Portugal, teve estreia no Cinema Ideal, em Lisboa e, no Porto, no Teatro Rivoli, no âmbito do festival Porto/Post/Doc.

Manoel de Oliveira deixa-nos ao 106 anos e o Mundo fica mais pobre.