Portugal e o mundo perderam hoje o realizador mais velho do mundo em atividade. Manoel de Oliveira morreu esta quinta-feira, no Porto, após alguns problemas de saúde nos últimos meses. Manoel Cândido Pinto de Oliveira nascido a 11 de dezembro de 1908 e filho de pais abastados da sociedade portuguesa, cedo mostrou vontade de se tornar ator e entrar no mundo do #Cinema. Aos vinte anos entrou na escola de atores de Rino Lupo, cineasta italiano e pioneiro no cinema ficcional português.

Apaixonado pelo Charlin Chaplin, Manoel de Oliveira estreia-se como realizador de uma curta-metragem sobre o rio Douro e a sua faina, estreando em Lisboa em 1931.

Publicidade
Publicidade

A partir daí, o cineasta foca-se em documentários abordando pontos de vista etnográficos e começa uma formação técnica na Kodak, na Alemanha. Como ator participou, em 1933, no filme A Canção de Lisboa.

Em 1942 filma o tão conhecido Aniki-Bobó, que inicialmente teve pouco sucesso comercial, mas ao longo do tempo torna-se num clássico do cinema português. Uns anos mais tarde com a docuficção O Ato da Primavera (1963) marcou a sua nova fase cinematográfica, possibilitando ao teatro falado ser uma opção para o cinema. A partir deste filme, Manoel de Oliveira filma mais trinta e muitas longas-metragens, sendo as mais conhecidas do público o O Passado e o Presente (1971), Amor de Perdição (1979), Francisca (1982), Inquietude (1998) e O Estranho Caso de Angélica (2010), entre muitos outros. Já Curtas e médias-metragens realizou mais de quinze, como A caça (1964) e Lisboa Cultural (1983).

A última curta-metragem filmada pelo cineasta português foi O Velho do Restelo (2014), que estreou no Festival de Veneza a 2 de setembro de 2014, quando o realizador já tinha 105 anos.

Publicidade

Neste filme, Manoel de Oliveira coloca o escritor Camilo Castelo Branco, Luís de Camões, Dom Quixote de La Mancha e Teixeira de Pascoaes a discutir o futuro de Portugal e o seu passado glorioso. Esta discussão tem como pano de fundo a foz portuense, alusão às suas raízes.

Após o seu desaparecimento físico, Manoel de Oliveira não vai deixar de ser um ícone do cinema português e, acima de tudo, um exemplo de jovialidade e de espírito criativo. Ensinou-nos essencialmente que não importa a idade física, o que conta é a idade mental e a força que nos dá fazer o que mais gostamos.