Manoel Cândido Pinto de Oliveira morreu esta madrugada em sua casa, tinha 106 anos. O cineasta nasceu a 11 de dezembro de 1908 na cidade do Porto, na freguesia de Cedofeita, e ambicionava morrer a fazer filmes. Assim foi. "Eu não fui um bom piloto, mas há um lugar onde dirijo bem: o #Cinema", dizia o realizador com 90 anos de carreira e com 47 filmes realizados.

Estudou numa escola de atores no Porto, fundada pelo cineasta italiano Rino Lipo, e o seu primeiro trabalho nasceu a 1931 e falava da faina do Rio Douro - Douro, Faina Fluvial. Foi um filme bastante criticado no nosso país, mas muito bem recebido no estrangeiro.

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A sua primeira longa metragem de ficção foi "Aniki Bobó" (1942), e mais tarde, em 1956, nasce o seu primeiro filme a cores "O Pintor e a cidade". Em 1963 realiza "A Caça", que continha diálogos inconvenientes para a época histórica ditatorial que Portugal vivia, dando ao realizador dez dias de prisão por parte da PIDE.

Mais tarde, em 1971, nasce o primeiro grande passo da carreira do cineasta, "O Passado e o Presente". Depois vieram grandes obras como "Amor de Perdição" (1979), "Non, ou a Vã Glória de Mandar" (1990), "A Divina Comédia" (1991), " Vale Abraão" (1993), "Inquietude" (1998), "A singularidade de uma Rapariga Loura" (2009) ou o "Estranho caso de Angélica" (2010). O realizador também teve uma experiência enquanto ator, tendo participado no filme "A Canção de Lisboa" (1933).

A sua carreira terminou com a curta metragem "O Velho do Restelo", que se afirma como uma reflexão para a humanidade e foi filmada na cidade do Porto.

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Desde cedo, o realizador recebeu inúmeras críticas devido à emoção nos seus filmes, para uns uma emoção teatralizada, para outros possuía, em cada cena, uma emoção imensa. Mesmo sendo um cineasta com um nome importante no cinema, sempre afirmou a dificuldade de financiamento.

Ao longo da sua carreira foi congratulado com diversos prémios, o Prémio da Palma de Cannes, o Prémio Leão de Ouro de Veneza, Globo de Ouro pela sua carreira, Prémio Mundial do Humanismo, destacado em diversos Festivais de cinema por todo o mundo e recentemente foi condecorado pelo presidente François Hollande.

Para o jornalista Fréderic Bonnaud que escrevera sobre o cineasta português em 2000 para o Festival de Turim, "Manoel de Oliveira era a mais bela anomalia do mundo, a única certeza que se pode ter é que cada filme seu será uma surpresa". Numa entrevista ao DN, Manoel de Oliveira falara sobre a morte, afirmando: "Não, a morte não me assusta nada. O sofrimento, sim, a morte não. A morte é... é o fim. É o fim da macacada".