O cineasta Manoel de Oliveira morreu esta madrugada aos 106 anos. Era o realizador em actividade mais velho em toda a história do cinema. Na sua carreira foi autor de mais de trinta longas-metragens. Ainda não são conhecidos mais pormenores relativos à sua morte, mas tornaram-se públicos alguns problemas respiratórios recorrentes, que obrigaram, inclusivamente, a que o cineasta fosse internado em mais do que uma ocasião. A notícia da morte do Mestre, como era conhecido Manoel de Oliveira, chocou o país, que se tem desdobrado em singelas homenagens nas redes sociais.

Nascido no Porto, a 11 de Dezembro de 1908, ainda o Rei D.

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Manuel II governava a monarquia portuguesa, Manoel de Oliveira cresceu numa família burguesa. Era filho do primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal. Muito jovem, Manoel de Oliveira foi estudar para a Galiza, num colégio jesuíta. "Nunca fui bom estudante", admitiu várias vezes. Dedicou-se ao desporto, foi campeão nacional no salto com vara, era aficionado de automobilismo.

Foi sempre um boémio, como qualquer bom amante da arte, e foram famosas as longas e interessantíssimas tertúlias no Café Diana, na Póvoa de Varzim, juntamente com os seus amigos, entre eles José Régio e Agustina Bessa-Luís. Não demorou muito até que Manoel de Oliveira se deixasse contagiar pelo #Cinema. Aos 20 anos de idade vai para a escola de actores de Rino Lupo, um italiano radicado no Porto e um dos primeiros cineastas nacionais de ficção.

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Em 1931, com 23 anos, roda o seu primeiro filme 'Douro - Faina Fluvial', uma curta-metragem.

Como actor participa em 'A canção de Lisboa' (1933), mas não se entusiasmou muito com o género popular. Em 1942 estreia a sua primeira obra prima, 'Aniki-Bobó', retrato da infância dos meninos da Ribeira, no Porto. O filme foi um enorme fracasso comercial, mas ficou para a história do cinema nacional. No entanto, foi uma das razões porque Oliveira ficou cerca de 21 anos sem apresentar outra longa-metragem. Tal viria a acontecer apenas em 1963, com o 'Acto da Primavera'.

A partir de 1971 a frequência com que consegue apresentar novas obras é quase inacreditável: são 43 filmes entre 'O passado e o presente' (1971) e 'O velho do Restelo' (2014). Este último foi realizado quando Manoel de Oliveira tinha 105 anos de idade. Para a história ficam também obras como 'Amor de perdição' (1979), 'Non, ou a vã glória de mandar' (1990), 'A divina comédia' (1991), 'Vale Abraão' (1993) ou 'A carta' (1999).

Manoel de Oliveira recebeu inúmeros galardões, quase 30 prémios internacionais ligados à indústria cinematográfica ou às artes. Foi distinguido como Comendador pela Ordem Militar de Sant'Iago de Espada, e no ano passado recebeu o título de Grande Oficial da Legião de Honra, atribuído pelo governo francês.