É inegável o crescimento dos festivais de #Música extrema do nosso país. Como vimos, Santa Maria Summer Fest (S.M.S.F.) já faz parte do itinerário de muitos fãs de música pesada. Depois de uma pequena abordagem ao festival que decorre no centro de Beja, é chegada a altura de falarmos com a organização, pai e filho, numa pequena mas franca conversa. Abaixo fica a primeira parte da mesma.


Quando caminhamos para a sexta edição do S.M.S.F. já há uma sensação de dever cumprido?
Vítor Paixão - Em parte sim, e digo em parte no que toca à sedimentação do festival enquanto evento de reconhecido interesse nacional e cada vez mais internacional, situação que se constata não apenas pela presença de público, que é naturalmente o mais importante, como também na divulgação em diversa imprensa da especialidade, nacional e internacional e não menos importante, dos inúmeros contactos que temos de bandas internacionais, algumas delas de renome no panorama da música extrema. Por outro lado, julgo que a cada ano que passa, temos correspondido às exigências. Prova disso são as criticas bastante positivas que são feitas ao festival e às suas sucessivas edições. Por outro lado ainda, e é o que me deixa triste, não obstante o apoio fundamental e imprescindível das autarquias de Beja (Juntas de Freguesia e Município) noto ainda alguma desconfiança relativamente à forma como o fazem, nomeadamente porque praticamente todos os agentes envolvidos no festival reconhecem o seu potencial, a sua afirmação no panorama nacional. Fico sempre com a sensação de que aqueles que mais nos apoiam não têm essa percepção, o que é no mínimo estranho pois reitero que me têm apoiado bastante mas não o suficiente ao ponto de reconhecerem que o festival é de facto uma mais valia para a cidade. Sinto que acreditam no festival, pois se assim não fosse não apoiariam mas apenas como de mais um evento se tratasse, ficando a sensação de que não têm plena consciência da sua importância quer do ponto de vista cultural, quer sócio-económico.


Dado o inegável impacto positivo que o festival tem na cidade, parece difícil que mesmo assim as autarquias ainda olhem com desconfiança. Será a velha questão da marginalização do metal?
Vítor Domingos - Sim, creio que é isso. Porém estamos muito interessados e à procura duma maneira de arranjarmos alguém que possa fazer um estudo de mercado do festival, da edição deste ano. Sabemos que o festival é sem dúvida bom para a cidade e para o seu comércio, turismo e tudo mais, mas queremos quantificar isso.


Vítor Paixão - Nem mais, julgo que passa por aí. Com muita tristeza minha pois os proprietários da restauração e dos cafés (e também da hotelaria) já vão reconhecendo que, de facto, se trata de pessoal que tenha muito ou tenha pouco, deixam-no cá ficar todo, não se privando de comer e beber bem. Por outro lado, é pessoal que não faz mal a ninguém, pessoal pacífico, mas que pelos vistos assustam pelo aspecto, pela forma como vestem, pelos cabelos compridos, por ouvirem música estranha, daquela que "faz as pessoas fugir", enfim, a marginalização, infelizmente, ainda é uma constante. Porém não deixa de ser até uma antítese já que é o PCP quem organiza a maior festa cultural em Portugal que é precisamente a Festa do Avante, onde apanham "modas para todos os gostos", desde metaleiros a punks, a hippies, etc... e depois verifico que ainda há esse estigma, de uma Câmara que é comunista, bem como as Juntas de Freguesia; confesso que fico um pouco estupefacto perante isso. Mas reitero, quando falo desta forma não significa que não dêem apoio, antes pelo contrário, fazem-no e de que maneira, tratando-se de um apoio imprescindível, porém sinto que poderíamos crescer muito mais, e de que maneira, e não seria necessário muito mais investimento. Bastaria haver mais confiança, melhorar alguns aspectos logísticos pois nós próprios estaríamos dispostos a assumir a parte financeira e reconhecer que Beja só tem a ganhar com o festival pois tanto quanto me lembro é dos eventos que mais pessoas traz à cidade.


Vítor Domingos - Mas felizmente nem todos os munícipes nos tratam assim. Há sempre quem tenha maior consideração e dê mais valor. Um dos quais reconheceu a evolução que o festival teve, e que é, de facto, um festival diverso, quando anunciámos Paulo Colaço no cartaz... acho que faz falta as pessoas compreenderem que é mesmo de facto um festival diverso! A base é o metal, punk, enfim, a música extrema, mas o que não farta é oferta de outros estilos! 

Já no ano passado se verificou isso mesmo no palco 2...

Vitor Domingos - Sim, com Artnis! E para o preço que temos, vale sem dúvida a pena pagar bilhete só de um dia para ver 2 ou 3 desses artistas Porque se formos a concertos deles em individual, pagaremos também à volta do preço de um dos dias (€5 / €7 em pré-venda, os bilhetes diários serão postos à venda em breve).

Ainda sobre o tema dos apoios ao festival... 
Vitor Paixão - Olha resumindo, bastaria nós acreditarmos que de facto os nossos parceiros autárquicos acreditam no festival e com isso dizerem-nos: meus amigos, têm garantia de que o apoio se manterá e força nisso. Só essa lufada de confiança nos permitiria arriscar ainda mais. Da forma como acontece, ajudam de facto, mas parece que é tudo "de empurrão", a muito custo, nunca sabemos se pode ser nesta ou naquela data, se poderemos manter o local, se os apoios virão a tempo e horas, etc...