A 1.ª parte da entrevista está disponível aqui. A conversa continua com Vítor Paixão e Vítor Domingos, os organizadores do Santa Maria Summer Fest, um dos maiores festivais de #Música extrema do nosso país.


Ainda assim, e apesar de todas as dificuldades, quem corre por gosto, não cansa?
Vitor Paixão - Excelente pergunta, Fernando e vou responder-te com toda a sinceridade. Confesso que há dias em que a vontade é praticamente nula pois a fasquia está demasiado elevada, as responsabilidades são mais que muitas e a minha vida não é definitivamente isto. Juntando a alguma incompreensão da parte de muita gente e à falta de "recursos humanos" que nos ajudem de forma mais consistente, confesso que estou um bocado cansado. Tenho dito para mim próprio que não vale a pena pois vezes há em que o sofrimento é mais que o prazer e quando assim é... Mas depois acabo sempre por continuar, nem sei como nem porquê mas vejo o Fest como uma missão, mais neste aspecto do que como um verdadeiro gozo, o que me deixa triste. Neste momento é o Vitor Júnior quem praticamente idealiza tudo, eu limito-me a dar o aval neste ou naquele aspecto e naturalmente a aprovar ou não as questões financeiras, sempre que possível com o apoio de alguns elementos da Associação.


Vitor Domingos - Sim, e enquanto as condições se mantiverem, continuaremos a remar contra a maré, e inclusive já tivemos de dar muitas voltas de 180º ao longo destes anos todos. Muitos planos B, C, D, E, F, G, H... Neste meio nunca podemos esperar que algo vá correr de forma x ou y... há sempre muitas variantes e muitas vezes temos de procurar soluções alternativas ao que planeamos. Quanto ao que ele diz, concordo que por vezes se sinta assim em relação ao futuro do festival, e eu também me sinto assim quando vejo a quantidade enorme de tarefas que tenho de completar e não tenho praticamente ninguém para me ajudar... porém, a minha motivação constrói-se quando vejo as coisas a acontecerem, e também sei que nele acontece isso, pois já partilhámos muitos momentos de enorme satisfação quando fechámos com bandas que nunca pensaríamos vir a cá ter, ou quando presenciámos os seus concertos... Esse stress todo que o meu pai menciona provém maioritariamente do pré-festival, que é a altura mais complicada. Mas, pelo menos para mim, tudo o que acontece naqueles 3 dias, compensa todo o trabalho que tivemos, e bastante.


Independentemente do futuro, creio que o festival já deixou a sua marca no panorama nacional e seria sentida a sua falta. Agradeço-vos por esta pequena conversa e deixo-vos com as últimas palavras.
Vitor Domingos - Obrigado nós!


Vítor Paixão - Bem, que dizer? A mim resta-me preparar o caminho para que daqui por um par de anos, caso o festival se mantenha até lá, seja o Vítor Júnior a assumir as rédeas por inteiro, seja no âmbito de um movimento Associativo, seja enquanto empresário. Sonho com o dia em que possa estar no Santa Maria única e exclusivamente como festivaleiro, desfrutando do festival e não constantemente preocupado por tudo e por nada. Cabe-me a mim preparar o caminho, quem vier a seguir que faça o resto. Muito obrigado por esta oportunidade e continuação do excelente trabalho que tens feito na divulgação do metal.