O Paradise Garage foi o palco para o regresso ao nosso país dos Arch Enemy, acompanhados pelos alemães Drone e pelos norte-americanos Unearth, num cartaz que prometia muitas emoções fortes e energia e que cumpriu ambas. O espectáculo começou meia hora mais cedo, com as portas a abrir às 20:00h, em vez das 20:30h previstas. Mas tal medida não se fez sentir na banda de abertura, os Drone, que gozaram de uma moldura humana já bastante apreciável.

Praticamente desconhecidos do público português, a banda conta já com quatro álbuns de originais. Com um alinhamento curto, o conjunto conseguiu agitar o público lisboeta com o seu thrash moderno embebido em hardcore em pouco mais de meia hora, isto graças à força de temas como "Welcome To The Pit" e " Format C". Embora se trate da típica banda de abertura, cumpriu na perfeição o seu papel e o público ficou bem aquecido.

Por falar em aquecimento, o que dizer da actuação dos Unearth? A banda entrou no palco e provocou um autêntico reboliço no Paradise Garage, convidando à festa, ao moche e ao circle pit durante toda a sua actuação. É certo que, tal como os Drone, que os antecederam, não estão livres de todos os clichés que o estilo que escolheram para tocar acarreta, mas é em noites como estas que esses mesmos lugares comuns são bem-vindos, já que são sinónimos de muita troca de energia entre o público e banda. Temas como "Watch It Burn", "The Swarm" e "Last Wish" conseguiram envolver a multidão e metê-la a mexer de forma entusiasta. A própria banda acusou esse mesmo entusiasmo no "The Great Dividers", o último tema da banda, com os dois guitarristas a acabarem a tocar em cima do balcão esquerdo do bar da sala.

Duas bandas de metal moderno que bebe muito à energia do hardcore e uma sala sedenta por algo ligeiramente diferente. O death metal melódico dos Arch Enemy era altamente ansiado por um Paradise Garage praticamente esgotado e, assim que soou a intro "Khaos Overture", o público foi completamente ao rubro. "Yesterday Is Dead And Gone" foi o primeiro tema a ser tocado e colocou alguns pontos em evidência. Primeiro que Alissa White-Gluz tem uma presença em palco fenomenal, tendo em conta a pesada herança que Angela Gossow deixou.

Do lado menos positivo temos o facto da voz estar um pouco baixa na mistura final, assim como a guitarra de Jeff Loomis, ex-Nevermore, outra das grandes curiosidades da actual formação. Foi pena que a qualidade do som não tenha permitido ouvir na perfeição todos os pormenores que a #Música dos Arch Enemy tem. Apesar destes pontos menos positivos, a actuação da banda foi energética e grande parte da sua carreira foi abordada, embora talvez tenha havido algum exagero no número de temas novos (7!) no alinhamento, facto que demonstra a confiança que o grupo tem no novo álbum. De qualquer forma, temas como "War Eternal" e "You Will Know My Name" convivem bem com outros, já clássicos, como "Ravenous" e "Nemesis".

Claro que os fãs da velha guarda de certeza que sentiram falta de temas da primeira fase da banda, ou seja, dos álbuns "Black Earth", "Stigmata" e "Burning Bridges" - sobretudo "The Immortal", que é um daqueles temas emblemáticos. Ainda assim, foi um concerto de topo, que nem os problemas sonoros impediram a sua apreciação, com um público completamente energético e incansável a fazer crowd surfing, circle pits, moche e headbanging. Além disso, houve momentos que de certeza arrepiaram a banda, nomeadamente ouvir o público a entoar as melodias dos seus temas. Sem dúvida, uma noite mágica.