Os primeiros anos do século XIX foram um autêntico terror para vários países europeus. O ambicioso, destemido e louco Napoleão Bonaparte queria invadir a Inglaterra e para tal não queria que todos os países fizessem trocas comerciais com aquele país. Em busca da glória, ele e as suas tropas percorreram quase sempre com êxito vários países, cometendo as maiores atrocidades contra as populações locais. Portugal também não escapou, mas com uma diferença… um cobarde rei fugiu! Napoleão Bonaparte fizera o ultimato a Portugal: ou D. João VI apoiava a Inglaterra contra os interesses franceses, ou então ajudava a França, declarando-se inimigo dos ingleses.

Publicidade
Publicidade

A situação era muito delicada. Fosse qual fosse a decisão portuguesa, Portugal entrava, contra a sua vontade, num conflito militar.

Numa operação que teve o apoio inglês, o monarca português deu a entender aos gauleses que estava tudo bem encaminhado para os apoiar. Mas as constantes hesitações fizeram desconfiar Napoleão. A guerra estava aberta! Ao chegar a Portugal,  tomou conhecimento de que D. João VI e a sua família tinham fugido para o Brasil!

O povo português só se apercebeu da partida da família real quando viu  os barcos a uma distância já considerável da terra. A despedida não foi pacífica… revoltadas, as pessoas lançaram pedras tentando acertar nas naus. Atraiçoada, a população portuguesa, estava agora só e por isso mesmo passou a ser o alvo fácil de toda a raiva francesa.

Publicidade

Mortos, roubos, violações, tudo de macabro aconteceu. O desespero incalculável dos portugueses certamente era enorme. Tentava-se proteger os bens materiais e humanos como se podia, mas muitas vezes sem sucesso.

Nos seus últimos anos de vida, passados em exílio na ilha de Santa Helena (após a derrota na batalha de Waterloo frente ao Duque de Wellington) Napoleão escreveu as suas memórias. Nunca esqueceu D. João VI: "Foi o único me enganou".

De acordo com os historiadores, D. João VI precipitou-se ao sair do país. Se tivesse permanecido em Portugal, apesar dos fracos recursos militares/económicos que o país dispunha na época, os franceses teriam perdido facilmente e muitos dos tristes acontecimentos teriam sido evitados

As invasões, foram 3 (sobre o comando dos generais: Massena, Junot e Soult) e apenas terminaram em 1811. Com o forte apoio das forças inglesas comandadas por Duque de Wellington (grande rival de Napoleão e que aliás derrotaria o francês na já referida batalha de Waterloo e faria dele seu prisioneiro), Portugal ver-se-ia livre dos gauleses.  

O jantar que quase juntou os inimigos à mesa 

A #História das invasões francesas em Portugal regista um outro momento curioso. A cena caricata decorreu no Palácio da Lousã. De acordo com Nelson Borges em "Coimbra e Região", " (...) O Duque de Wellington entrava triunfante na Lousã, e sentando-se à mesa que Massena abandonara (minutos antes), pôde saborear com redobrado gosto o jantar que tinha sido preparado para o inimigo...".