Uma mesa, três cruzes, três velas e um copo de uísque. O cenário estava montado no MusicBox, em Lisboa, para o concerto de ontem, o qual prometia ser intenso e intimista. E foi isso mesmo, e foi também mais do que isso, mas tudo podia ser resumido à voz deste senhor. Portador de uma mensagem de redenção inspirada na bíblia, Thomas Jefferson Cowgill, mais conhecido pelo nome da sua personagem King Dude, é dono de uma voz incrivelmente grave que nos converte desde logo em crentes deste "pregador" de dark folk oriundo de Seattle, Estados Unidos.

O concerto foi totalmente assumido no seu formato mais simples, uma guitarra acústica rasgada e uma voz que vale por um coro inteiro.

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Coro esse que se fez ouvir durante a canção "Lucifer's The Light Of The World", quando o público que encheu o Musicbox, em Lisboa, foi convidado a pronunciar-se num dos melhores registos da noite. A #Música de King Dude transporta-nos para um mundo negro e sinistro, repleto de histórias de horror, sempre em tom cavernoso, condizente com os crucifixos e pentagramas invertidos que acompanham todos os temas. As suas músicas são diretas, curtas e com ritmos típicos das vertentes folk, country e blues, que caracterizam muito o som associado à América mais autêntica e às raízes mais cruas do outro lado do oceano.

King Dude não é um virtuoso da guitarra, nem tão pouco um animador nato, ele é um mensageiro. Sobe aos palcos para nos fazer lembrar que existe todo um lado negro do ser humano, que cada um de nós também transporta um ser sombrio que pode aparecer sem avisar.

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Comunicador, King confessa-nos com pesar que no preciso dia que nos presenteia com este concerto, morre um amigo seu e dedica-lhe um tema, deixando cair um pouco o personagem para nos dizer também que está longe de casa e agradece o apoio e a paciência do público que o ouve.

Talvez o segredo esteja nos cigarros de mentol que o acompanharam também ao piano em duas canções, numa actuação que, apesar da nudez instrumental, foi bastante convincente, ajuizando pela reacção calorosa do público.