Seria difícil superar o mês de Março com lançamentos fortíssimos, como o regresso dos Moonspell, mas Abril mostrou-se também portador de novidades valorosas e que são dignas de ser mencionadas. Comecemos pelo regresso dos Impellitteri, com o álbum "Venom". A banda fundada por Chris Impellitteri, apesar de nos apresentar um trabalho não muito diferente daquilo que se esperaria por parte da banda, heavy metal de cariz neoclássico, tem uma qualidade e uma simplicidade que faz toda a diferença. A simplicidade também é o motivo que faz com que "Fuel To Burn", dos noruegueses Spitfire, seja tão viciante e que comprove mais uma vez que o hard rock está mesmo de volta. Dentro do power metal sinfónico e bombástico, surgem os Damnation Angels e um "Valiant Fire" surpreendente que chamará a atenção mesmo para quem não aprecia o estilo.

Do Canadá surgiram os Third Ion, com uma estranha adoração às bandas sonoras de 8 bits dos jogos de computador das consolas da década de oitenta. A banda estreou-se com "13/8bit", um álbum surpreendente e recomendado para todos aqueles que apreciam metal progressivo e desafiante. Menos desafiante, mas muito cativante, é o regresso de um dos grandes nomes da Noruega no que ao gótico diz respeito. Apesar de hoje em dia já não ter tanto a ver com o género, Seigmen continua a aproximar-se de nomes como Katatonia e Anathema, e o seu álbum "Enola" é, sem dúvida, um dos grandes destaques do mês na categoria de rock melancólico, mesmo cantado em norueguês.

Aumentando a intensidade sonora temos os Nevborn e o seu "Five Horizons", um exemplo de como o pós metal continua a colocar obras de interesse maior ao dispor do público, com emoção e peso que proporcionam uma viagem digna de um clássico de rock progressivo. Nesse espectro, a #Música instrumental dos Shakhtyor, no seu segundo álbum "Tunguska", acaba por ter efeitos semelhantes e faz lembrar nomes grandes como Pelican, num álbum que implora para ser ouvido vezes sem conta.

Nos destaques finais, temos três álbuns, sendo que o terceiro é o álbum do mês. Comecemos então pelo impressionante "Crooked Doors", por parte dos Royal Thunder, que demonstra que não vai demorar muito até que dominem por completo a música mainstream, evidenciando aqui todas as qualidades necessárias para tal. O rock/hard rock actual já precisava de um álbum assim. De seguida, temos outro regresso, desta vez dos Minsk. "The Crash And The Draw" é enorme e impossível de ser absorvido de uma vez só, sendo este apenas um dos seus atractivos. Neurosis, Pelican e The Ocean são tudo nomes válidos que servem para ter uma ideia do que nos espera, mas, mesmo assim, as palavras falham para explicar este trabalho e nada melhor que ouvir para comprovar.

O grande destaque para este mês de Abril é o álbum ao vivo dos Satyricon: "Live At The Opera". Gravado no final de 2013, no Den Norske Opera & Ballet, na Noruega, e contando com a participação do Coro de Ópera Norueguês, os principais momentos da carreira da banda norueguesa são brindados com arranjos corais que fazem com que as suas músicas atinjam níveis de intensidade nunca antes previstos. Mesmo para quem não aprecia a banda, será impossível ficarem indiferentes às versões arrepiantes de temas como "To The Mountains". O facto de ter sido lançado também em DVD, que possui uma qualidade fantástica tanto de imagem como de som, faz com que seja obrigatório para todos os fãs de metal extremo.