Por ser uma exposição a não perder, e por estar prestes a terminar, reforçamos a nota sobre as 20 peças de Emília Nadal que ainda podem ser vistas, até 16 de junho, na Galeria São Mamede de Lisboa. A pintora formada pela ESBAL, em 1960, observa e investiga o que se mantém naturalmente belo e brota no silêncio da luz e da paz - O tempo e a forma, de seu nome. É esta poesia provinda da natureza que a pintora ressalva e surpreende, transportando-a para a pintura e desenho com a mensagem de que tudo se transforma e nada perece. Até o que parece tão pouco (e, por isso, quase descuramos), nos toca a alma.

O historiador e crítico José-Augusto França descreve a obra de Emília Nadal, como um "calendário": "(...) que é, uma situação poética (...) no tempo certo de o fazer, com idênticas coisas observadas mais de perto dos olhos e da mão desenhadora. (...) Que assim também vai poesia, vivida e entendida, que ao artista humildemente apetece (...)". E mais enaltece a sua "(...) sensibilidade discreta, num desenho bem aprendido (...)".

O igualmente historiador e crítico, João Pinharanda, escreve que a pintora "vai revelando sucessivas faces da sua obra - um cristal que nos deixa nas mãos para nele vermos o passado, o presente e o futuro do nosso tempo e lugar". Mas, acima de tudo, este trabalho de Emília Nadal sobre o estudo de metamorfoses, onde as plantas mais singelas nos prendem, ganhando rosto de rainhas, tem uma mensagem de vida e de esperança.

Publicidade
Publicidade

E isto porque, banhados pelo panorama selvático de um mundo pleno de violência e de injustiças, os artistas repensam o passado, o presente e o que se avizinha, mercê das conclusões que destes se retiram. Emília Nadal não fica atrás, dando-nos mesmo a alternativa ao suposto inferno na contemplação do que ainda pode gerar um olhar de mudança no sentido positivo: a natureza. Desta feita, a doçura do seu gesto e traço inspira a crença num estado de ser melhor. Provindo todas as respostas de um mesmo olhar à nossa volta, despido do supérfluo. #Artes