Está em Los Angeles há dois anos e meio e prepara-se para lançar o seu próximo trabalho, um EP com cinco músicas, em Setembro. Ana Free, a cantora luso-britânica que se tornou famosa através do YouTube, chamou-lhe The Weight of the Soul. Será também um disco independente, que sucede a To.get.her, lançado em 2013 depois de uma campanha de crowdfunding na PledgeMusic.

"O que é especial no The Weight of the Soul é que é um disco mesmo meu. No To.get.her quis incorporar os fãs, senti-me ligada ao facto de terem ajudado com esse álbum, envolvi-os muito, pus os nomes deles na capa interior", explica à Blasting News numa entrevista em Santa Mónica, onde está a residir.

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E porquê apenas um EP, e não um álbum completo? "Hoje em dia tem de ser tudo singles. Há sempre uma luta entre a paixão e o que é prático, em termos financeiros, de equipa, de tempo, de prazos, coisas que têm a ver com como lançar as músicas para o público", explica a jovem artista. "Os meus fãs estão na faixa dos 18 aos 30 e sinto que eu própria consumo assim, singles. É raro comprar um disco, tem de ser uma coisa muito específica. O último disco que comprei por completo foi o da #Taylor Swift, porque gosto de todas as músicas."

Ana Free diz que Swift é "um ícone para a minha geração de músicos" e fala do papel que a norte-americana teve no conflito com a Apple, que só aceitou pagar aos artistas pelos primeiros três meses de Apple Music depois de ela se queixar. "É muito bom a Taylor Swift ter dito que não põe a sua #Música ali se eles não pagarem aos artistas, mas mesmo assim ainda recebemos tipo 0,002€", explica Ana Free.

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"O que é preciso dizer é: 'eu não ponho a minha música no Apple Music enquanto não pagarem aos artistas uma compensação justa, tipo 0,20€ por stream'. Porque esse é o problema", alerta. "Isto não muda a minha situação porque praticamente não recebemos nada de qualquer forma."

Ainda assim, a artista de 28 anos acredita que o futuro trará mudanças e que as pessoas vão habituar-se a pagar uma mensalidade por serviços de streaming. Porquê? "Está a haver um apertar do cerco aos 'torrents'", opina, contando que as companhias estão a enviar emails às pessoas a dizer que infringiram determinados direitos de autor e que se continuarem vão ter problemas. "Parece-me que isto é o fim da pirataria. O início do fim", afirma. "Acho que o streaming vai ser uma maneira sustentável. Vamos poder viver da música outra vez."

Neste momento, o Spotify é o maior serviço do mercado, com 75 milhões de utilizadores, dos quais 20 milhões são pagantes. Nenhum dos outros serviços sequer chega perto desses números, mas mesmo assim o Spotify tem prejuízos.

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Já o Netflix, que chega a Portugal em Outubro, tem tido muito sucesso no conceito de streaming de séries e filmes por um baixo valor mensal.

Para promover o EP, Ana Free voltará a Portugal em Setembro e deverá dar alguns concertos. O produtor musical Rodrigo Crespo, com quem vive, é o responsável pela produção de The Weight of The Soul, que já tem o primeiro single a tocar na rádios. Trata-se de Say it to me e conta com a participação de Debi Nova.