A Blasting News foi conhecer melhor Pedro Chagas Freitas. Jornalista, redator publicitário, barman, operário fabril, jogador de futebol, nadador salvador e autor dos sucessos de vendas "Prometo Falhar" e "Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?". Considera-se um desassossegado com pavor de morte à rotina. "Um gajo que escreve cenas", como habitualmente se define a si próprio.

Como é viver na "Lamechalândia"?

É uma maravilha. A Lamechalância é a terra onde os sentimentos predominam. Não conheço melhor local para viver.

É lá, na "Lamechalândia", que se inspira para escrever?

Não acredito na inspiração. Mas sim: se é lá que moro é lá que escrevo.

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Escrevo sobre o que move as pessoas, sobre o que as abala. Escrevo, mais ainda, sobre o que liga as pessoas: amigos, familiares, amantes, ... Todos os #Livros são livros de amor.

"Prometo Falhar" foi um sucesso de vendas. Já é um escritor ou continua apenas "um gajo que escreve cenas"?

Sou um gajo que escreve cenas. E é um espectáculo. Escrevo o que me apetece, só o que me apetece. Estou-me nas tintas para ser escritor - quero é escrever. O escritor é aquele gajo que se leva muito a sério. Eu não sou esse gajo.

Em 2014 conseguiu aquilo que queria: ser lido. E agora? Qual é a próxima meta?

A minha meta é sempre a mesma: escrever o que me apetece. Nada mudou. Vou escrever sempre a partir disso. É a minha base inabalável: se não escrevo o que sou mais vale não escrever.

"Duas capas, duas viagens e duas abordagens". É assim que promove "Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?". O amor e o sexo exigem ser escritos sob um duplo olhar?

Numa relação a dois há sempre, pelo menos, dois olhares.

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Mas esta obra tem muito mais do que dois olhares. É um romance de um lado e um diário do outro. Há várias perspectivas, várias percepções. E os livros, como a vida, são uma questão de percepção.

Fala de duas viagens. Chegam a cruzar-se no livro?

Estão sempre a cruzar-se: de um lado temos a história e do outro o diário das personagens dessa história. É uma forma de saltitarmos entre a acção interior e a acção exterior. É isso, sempre, o que me fascina: entender o diálogo entre ambas as esferas. E são tão diferentes por vezes, não são?

Bárbara é um dos nomes do livro, mas também o nome da sua mulher. É coincidência?

Todos os meus livros são ficcionais. Cem por cento ficcionais. Este não é excepção. Mas sim: quis, com a escolha do título, homenagear a mulher que amo. Por nenhum motivo em especial - apenas porque ela merece.

Como é que pediu a sua mulher em casamento?

Não foi nada de extraordinário. Penso, aliás, que por vezes as pessoas se preocupam demais com o extraordinário.

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O mais extraordinário é, quase sempre, o mais simples. Eu tento aproveitá-lo até à demência.

Pede a sua mulher em casamento todos os dias?

Várias vezes ao dia. Não conheço outra forma de amar.

O livro anterior foi um sucesso. Este novo livro vai ser um sucesso ainda maior?

Para mim já o é. Mas tenho a certeza de que muitas pessoas vão gostar de o ler. As reacções que tenho tido nesta semana e meia de vida já mo dizem com clareza. É uma delícia ser lido assim e todos os dias ter leitores que fazem questão de me mostrar a importância que o que escrevo tem nas suas vidas. É uma responsabilidade terrível - mas terrível de boa.

Que afetos são retratados neste livro e de que forma é que as personagens os vivem?

É mais um livro que fala do que nos une. Da imbecilidade do que andamos aqui a fazer quando nos esquecemos do fundamental. As personagens da obra são loucas uma pela outra. Não existe loucura melhor do que amar.

A felicidade, mesmo em excesso, nunca é demais?

A felicidade tem de ter uma pitada de excesso. Sem excesso é uma felicidadezinha, uma felicidade de marca branca. Eu sou um fanático do excesso. Se não foi, em algum momento, excessivo não foi amor.

Quando se é ridículo por amor, está tudo bem?

Nunca está tudo bem. E ainda bem. É o que não está bem que nos faz experimentar novas soluções. Estar tudo bem deve ser muito mau. O medo do ridículo é o que nos impede, vezes sem conta, de ser felizes. As pessoas fogem todos os dias do ridículo. Mas é muitas vezes no ridículo que está o que interessa. Deixar de amar por medo do ridículo é ridículo.

2015 é o ano do lançamento de "Queres casar todos os dias comigo, Bárbara", mas também a celebração dos 10 anos de lançamento do seu primeiro livro. O que é que ficou desta década?

Milhares de páginas. Alguns milhares dessas páginas foram publicados, outros não. Mas o mais importante é ter sido capaz de as escrever - e de mudar com elas. Os meus livros são também o que eu sou. Um dia, quando não tiver mais nada para fazer, vou voltar a olhar para o que escrevi e fazer um mapa do que fui. Está tudo lá.

Ainda tem muitas obras por lançar perdidas por casa?

Umas largas dezenas. Mas agora já não as imprimo. Ocupam muito espaço. Ficam em formato digital para não chatearem ninguém. Pode ser que um dia queira fazer algo com elas. Ou não.

Escreve mas também dá workshops, cria jogos didáticos, dá palestras, etc. Escrever, por si só, não chega?

Sou um desassossegado. Não consigo fazer só uma coisa. Tenho um pavor de morte à rotina. E por isso é perfeitamente natural que, se puder, ainda experimente muitas outras idiotices. Aguentem-se.

Escreve para estar vivo ou vive para escrever?

Escrevo porque tenho de escrever. É a única maneira de o explicar. Sempre escrevi; sempre escreverei. É também isso o que sou: alguém que escreve. Não procuro explicar por que escrevo. Prefiro escrever.

A escrita é a sua pornografia?

A pornografia é estar vivo. Ter a possibilidade de escolher: é tão bom, não é? Há, apesar de tudo, muitas escolhas que estão nas nossas mãos. Procuro fazer as correctas. É obsceno de tão fantástico tudo o que temos à nossas disposição. Não o aproveitar seria criminoso.

Qual é o lugar do amor na sua vida?

Mas há algo mais do que o amor na vida? Tudo o que faço - profissional ou pessoalmente - é por amor.

Ainda tem muitas histórias de amor para escrever?

Já tenho mais dois livros escritos depois do que acabou de ser publicado. Se são histórias de amor? São todas, são todas... #Literatura #Personalidades