A edição de 2015 do Festival de Músicas do Mundo de Sines foi mais uma vez um sucesso estrondoso. Com algumas diferenças em relação aos anos anteriores, a afluência de pessoas continuou extraordinária, com o dia de encerramento, 25 de Julho, a ser o pico de lotação e procura, com os bilhetes para os concertos no Castelo de Sines a esgotarem. Nesse mesmo dia, as actuações dariam início com os habituais concertos grátis no Castelo às 19 horas e na Avenida da Praia às 20 horas e 15 minutos, que este ano caberia a honra aos japoneses Pascals e aos chineses Shanren. Dois concertos que colocaram a fasquia bem alta para o resto da noite.



Começando com o primeiro concerto no Castelo, os Pascals eram um dos nomes que mais curiosidades suscitavam neste último dia do Festival. Composto por catorze membros, é na verdade uma verdadeira orquestra, tendo entre si muitos multi-instrumentalistas que aumentavam em muito a versatilidade dos seus talentos. É de sublinhar os estranhos instrumentos utilizados, muitos brinquedos de crianças que davam um colorido muito especial a cada uma das músicas. Rocket Matsu é o líder que se colocou em posição de maestro, de costas para o público e comandou os Pascals para uma actuação brilhante . Destaque para Koji Ishikawa, responsável pela percussão e por uma parafernália de brinquedos,  que contagiou o público com a sua alegria e brincadeiras com o público e com os próprios membros do seu grupo.

Houve um enorme sentido de beleza nas composições que os Pascals escolheram para tocar, transitando entre a alegria exuberante e quase nonsense (muito graças também ao já referido Koji Ishikawa e também a Satoshi Hara, tocador de banjo) com um sentimento épico de tristeza, totalmente cinematográfica, com níveis de intensidade impressionantes. Numa das músicas tocadas, houve inclusivé um climax de violência e cacofonia sonoras que faria impôr respeito até à mais extrema banda de grindcore. O público aprovou e ovacionou os Pascals sempre que pôde e estes agradeceram na figura de Matsu, mestre e maestro desta orquestra, que apesar da sua timidez foi-se soltando aos poucos gritando a plenos pulmões “arigato” e “obrigado”.  

Depois dos Pascals, chegaria a vez dos Shanren no palco montado na Avenida da Praia, onde também se juntou rapidamente um número considerável de espectadores. Os Shanren chegaram de Yunnan, província chinesa que serviu de inspiração para a criação da utópica Shangri-La. Pode dizer-se que os Shanren são uma banda de folk rock alternativo, já que além da utilização de instrumentos típicos chineses e de melodias próprias do seu folclore, também juntam outros elementos que lhe são estranhos como o ska, reggae e o rock. Uma mistura que resulta muito bem em palco, como o público de Sines pôde bem comprovar. O quarteto fez toda uma avenida preenchida saltar e dançar como se o mundo acabasse naquele dia. E poderia bem acabar, que com #Música desta qualidade, seria uma despedida bem digna.


Duas bandas  totalmente diferentes mas o mesmo espírito de festa, que é o espírito do F.M.M. de Sines, onde a alegria se fala na linguagem da música, a linguagem que nos une a todos nós, seres humanos. Mais um ano, mais um festival de excelente qualidade, único no panorama nacional e até mundial.