No dia a dia deparamos com histórias e mistérios que ficaram escondidos e que muitos desconhecem. É o caso da utilização da burqa em Portugal. Mas, onde foi utilizada a burqa? Porquê? Quem a utilizava e em que contexto? Quando foi extinta? Todos nós associamos o uso da burqa à cultura muçulmana e à mulher; no entanto não foi apenas a cultura desses países e dessa religião que utilizou a burqa como peça de vestuário da mulher. Em Portugal a burqa também era utilizada. Remontemos ao Algarve no século XVIII e no início do século XIX.

Através do livro "Crónicas do Algarve" do antigo Governador Civil de Faro, Júlio Lourenço Pinto, fala-se da utilização da burqa, apelidada em Portugal de "bioco", como uma forma de fidelidade conjugal que era uma forma de máscara, feita de tecido negro, em que apenas se viam os olhos da mulher e que não tinha nenhuma elegância nem beleza.

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No entanto, se a burqa é utilizada nos países muçulmanos por imposição do homem, no caso da burqa portuguesa acontecia exactamente o contrário. O bioco era utilizado pela mulher por gosto próprio e servia como disfarce, permitindo uma certa liberdade à mesma, pois ninguém sabia quem era a mulher que estava vestida daquela forma. Por exemplo, uma mulher que fosse pecadora poderia vesti-la de forma a que não fosse reconhecida na rua.

Entretanto, no reinado de Dom Carlos, o Governador Civil, autor da obra acima referenciada, viria a abolir esta peça de vestuário através de um decreto de lei do Regulamento Policial de Faro, no artigo 32 datado de 6 de Setembro de 1892, em que se refere que seria proibido o uso dessa peça nas ruas e templos de todo o distrito. No entanto, existiu a excepção do concelho de Olhão, em que a mesma foi utilizada até os anos 30 do século XX.

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O autor via nesta peça apenas "um vestígio da cultura islâmica".

Outro exemplo muito próximo da burqa é o capelo, que foi utilizado na Ilha Terceira e que ainda hoje é bastante retratado no folclore dessa região, assim como nas suas festas populares. #História #Curiosidades