"Ou sou o homem da tua vida ou mais vale desapareceres daqui para fora".

Não. Não posso escrever assim. Tenho de me segurar, de segurar as palavras dentro de mim. Não posso assumir que a quero assim, tanto assim, como se não pudesse aguentar sem ela. E não posso. Não posso aguentar sem ela - mas para que tem ela de saber disso?

"Ou decides vir comigo ou nem sequer vale a pena decidires".

Isso. É isto mesmo. Mostrar-lhe que não aguento ser mais-ou-menos-homem, mais-ou-menos-namorado, mais-ou-menos-o-que-quer-que-seja. Não aguento ser mais ou menos de ninguém, nem mais ou menos feliz, nem mais ou menos o raio que a parta.

Publicidade
Publicidade

Ou bem que és minha em tudo ou bem que não te quero para nada. Isso. É isso que tem de ficar registado. Mas não só.

"O que desejo é apenas que me desejes".

Não. Lamechas demais. Verdadeiro, tão verdadeiro. Mas lamechas demais. Frágil demais, entregue demais. Já estou outra vez a colocar-me todo nas mãos dela, a mostrar-lhe que pode decidir o que quiser, quando quiser; a mostrar-lhe que basta querer-me que eu a vou querer. E basta, e basta - mas para que tem ela de saber disso?

"Tens dois minutos para escolher entre vir comigo ou ficar sem mim".

Isso. É isto mesmo. Vou imprimir já isto. Assim é que é. Uma posição de força. Uma real posição de força. Ou sou um homenzinho adulto, capaz de assumir claramente aquilo que é e aquilo que quer, ou então não sou nada. Ela vai ter de querer tanto como eu.

Publicidade

E vai ter de mostrar que me quer tanto como eu. E já. Sem hesitar. Vem comigo e eu vou com ela. É só isso. É tão simples, não é? Vem comigo e eu vou com ela. Basta isso para tudo o resto fazer sentido. É claro que não sabemos como vamos lidar com tudo o resto, é claro que existem empregos, famílias, filhos e pais, primos e tios; mas também é claro que basta eu ir com ela e ela ir comigo para tudo isto se encaixar. É o amor que encaixa todas as peças - ou então que fique tudo desencaixado, a ver se eu me ralo.

"Eu sei que temos de falar, mas primeiro deixa-me amar".

Ele deixou. Deixou várias vezes, aliás. O papel, esse, continuou na impressora. Ainda lá está, sensivelmente dois metros ao lado do lugar de onde chegam os gemidos. #Literatura