São milhares, na sua grande maioria miúdas adolescentes que se assumem como “desajeitadas”. Sempre que podem deslocam-se para assistir aos concertos onde a gritaria e a excitação é uma constante. Conhecem as letras de todas as músicas dos seus ídolos e afirmam que a vida não fazia sentido sem eles. Criaram uma espécie de culto e interagem com eles nas redes sociais. São as fãs dos três rapazes que protagonizam o fenómeno musical da actualidade em Portugal: Francisco Pereira de 26 anos (Kasha), Miguel Cristovinho de 24, e Miguel Coimbra de 25, os D.A.M.A., iniciais de Deixa-me Aclarar-te a Mente, Amigo.

Quem acede à página do Clube de Fãs no Facebook depara-se com uma mensagem publicada por Miguel Cristovinho: “Muito obrigado a todo o apoio que nos dão, realmente é mesmo tudo por vocês e nada sem vocês.

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Obrigado”. Já são 10.500 os membros daquele grupo e, se a estes juntarmos os quase 168 mil seguidores da página oficial da banda, percebe-se porque é que estão há quase 50 semanas seguidas no top 10. Um fenómeno que vende que se farta e que provoca explosões nos 170 concertos, realizados e a realizar, este ano um pouco por todo o país. É ali, frente ao palco que as fãs gritam, entoam os refrões das músicas e até choram, numa histeria que arrepia quem assiste.

Os rapazes cantam uma #Música bem-disposta, com letras românticas actualizadas aos tempos actuais, baladas perfeitas para serem ouvidas por um público juvenil. Se no palco sabem interagir de uma forma incrível com o público, também fora dele comunicam pelo Facebook, Twitter, Instagram ou SnapChat. Ou seja, em todas as ferramentas sociais onde sabem que estão as fãs, e onde cada “post” angaria rapidamente milhares de “likes”.

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Beatriz Rodrigues revela à Blasting News que os adora desde que ouviu pela primeira uma música deles. “As músicas deles ajudam-me a ver a vida ao contrário”, refere a jovem. Uma opinião corroborada por Ana Miguel Carvalho que considera as músicas dos D.A.M.A. a sua vida, já que sem elas “não conseguia resolver todos os meus problemas da vida”. Já Ana Beatriz Pires reconhece que os rapazes “escrevem coisas que nenhum rapaz nos diria”.

Andreia Azevedo, psicóloga clínica, não se surpreende com aquelas opiniões. Até porque os adolescentes, tendo em conta o “grande período de mudança e transformação” que atravessam, “questionam-se imenso” e, por isso, “têm uma enorme sede de procurar o sentido do que lhes acontece”, diz, acrescentando que os adolescentes “sentem muita dificuldade em sentirem-se compreendidos pelos outros”. Por isso, procuram “várias fontes de identificação fora da esfera adulta, as quais habitualmente encontram nos amigos e, não raras vezes, na música”, esclarece aquela psicóloga de Pombal, em declarações à Blasting News.

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Para Andreia Azevedo, “dizerem que amam os D.A.M.A. ou que dariam a vida por eles não é motivo algum para assustar ninguém, muito pelo contrário”. “Um adolescente que não se perca de amores por algo ou alguém, esse sim, deve suscitar preocupação”, frisa. A psicóloga refere que “o ser fã de algo, que é partilhado pelos outros” contribui para o “necessário sentimento” de pertença a um grupo, “muito importante para a saúde mental do adolescente”. Andreia Azevedo afirma ainda que ser fã da banda é fazer parte daquele "grupo de meninos e meninas fixes", que apreciam boa música, que procuram letras que fazem pensar na vida e que adoram "gajos" giros, contribui para construir identidade, “a dita tarefa psicossocial da adolescência”.