O vencedor é o anti-destino.

O destino é uma bosta se não for esse o destino que queres. A diferença entre os que ganham e os que perdem está no que fazem perante o destino. Há os que resignam perante o que o danado lhes traz – esses são os derrotados; e há os que esbracejam que nem malucos para o contrariar – esses são os outros. Mas desengana-te: muitas vezes os que lutam que nem malucos contra o destino também perdem. Mas não é por isso que passam a ser derrotados. A vitória é uma questão de amor. Só quem ama pode vencer. Os outros, no máximo, têm vitórias. Aprende.

 

Viver bem é uma questão de ordenamento.

Os infelizes são os que têm medo do caos.

Publicidade
Publicidade

Mas todo o caos é apenas uma inversão da ordem que um dia te venderam como apropriada. Viver bem é, por isso, uma questão de te apropriares do caos; melhor: de te ordenares no interior do caos. A adaptação, sempre a sacana da adaptação, é a chave. Usa-a. Adapta-te. Se pensavas que ias para a direita e tens de ir para esquerda: adapta-te. Encontra nessa m**** dessa estrada algo que te interesse. Se não houver: inventa. Mexe-te. Se pensavas que ia estar sol e ias para a praia e afinal está a chover e não sabes o que fazer: adapta-te. Vai ao cinema, fica em casa a ver um filme, escreve um poema. Mexe-te. É claro que podes muito bem pensar que isto é tudo uma grande treta e que às vezes não é mesmo possível ordenar o que quer que seja. E tens toda a razão. Mas até a isso, até àquilo que não pode adaptar-se, tens de te adaptar.

Publicidade

Aprende.

 

A grande pessoa aumenta as outras.

Expande-as. Porque não tem medo de quem é grande. O grande adora os grandes. O pequeno com a mania que é grande teme de morte os grandes. Ataca-os; acusa-os de, afinal, não serem grandes nenhuns. O grande de trazer por casa quer ser o único grande do pedaço. E é por isso que não passa de um minorcazinho. Ser grande é sobretudo isto: ajudar todos os que estão à volta a serem grandes também. Com inteligência, com carácter, com sonho, com uma dose bem grande de loucura e de sensibilidade. E com um egocentrismo particular: a felicidade dos grandes é também a felicidade de todos os que vê passarem, aos poucos, a ser grandes. Só os grandes crescem. A grande pessoa aumenta o mundo. Aprende.

 

A dor é uma ferramenta.

Como a alegria é uma ferramenta. Se existe, se é teu: usa-o. Não há que renegar. Assimila-o. Há coisas que correm mal e que magoam muito. Demais. Insuportavelmente, até. Mas há que as integrar. Há que as usar. Por mais que pareça impossível: a dor é parte, também, do que és.

Publicidade

Do que podes ser. É com ela, também com ela, que és o que tens de ser – o que só podes ser. A dor tem uma serventia muito particular. Procura-a. Aprende.

 

A dúvida é fundamental.

Não tenhas dúvidas: hesitar é útil. Tremer também é útil. Não saber o que fazer também é útil. A dúvida traz-te de volta a capacidade de olhar. Olhar de fora é com frequência a melhor maneira de entender o que se passa por dentro. A dúvida serve para te afastares, por momentos, de ti. Para te olhares como se olha um problema. E para, se possível, te resolveres. Ainda bem que tens dúvidas. A existência de dúvidas é uma das mais transparentes provas da existência de humanidade. Não hesites: valoriza a dúvida. Alavanca-te nela. Aprende. #Literatura