A escultura em questão intitula-se "Dirty Corner" (Canto Sujo, em Português). Faz parte da Exposição de Verão de Versalhes, instalada nos Jardins de Versalhes, em Paris. Foi inaugurada a 9 de Junho 2015, sendo esta a segunda vez que foi alvo de vandalismo. A controversa escultura gigante em aço com o formato de funil, mas com aparência de vagina, é do artista Anish Kapoor

Anteriormente, no primeiro ataque de vandalismo, apenas tinta branca foi derramada na escultura, o que levou o artista a questionar-se se deveria ser limpa ou não. Na página online de Anish Kapoor surgem interrogações como "Deve permanecer a tinta e fazer parte do trabalho?" ou "Será que a violência política do vandalismo fará o "Dirty Corner "dirtier"?" (ou seja do Canto Sujo, mais sujo?).

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O artista acabou por optar limpar a obra, que se manteve assim até dois meses depois.

No dia 6 de Setembro voltou o vandalismo, desta vez com inscrições como "Rainha Sacrificada, duas vezes ultrajada", "Cristo é rei em Versalhes" ou  "SS Sacrifício Sangrento". Desta vez o artista, usando novamente a sua página online, afirma num comunicado: "Não permitirei que este acto de violência e intolerância seja apagado. Dirty Corner está marcado com ódio e vou preservar essas cicatrizes como uma memória desta história dolorosa. Estou convencido que a arte triunfará". 

Anish Kapoor, nascido na Índia, mas radicado desde 1972 em Londres, refere ainda que terá que analisar o que todo este vandalismo significa para o seu trabalho que, no seu entender, tornou-se um receptáculo para políticas de vândalos anti-semitas, racistas e monárquicos de direita.

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Comparou ainda a sua escultura, que tem pedaços de pedra ao redor, com lápides que marcam a política ruinosa do fanatismo fundamentalista.

O monumento tem visitas de 20 milhões de pessoas anualmente. As #Exposições de Verão em Versalhes são das mais procuradas no mundo artístico. Em 2012 a artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos foi primeira mulher e a mais jovem artista a mostrar o seu trabalho neste espaço, juntando o seu nome a artistas como Jeff Koons ou Takashi Murakami. Apresentou um total de 17 obras, mas "A Noiva" foi censurada, gerando também polémica. Uma das suas obras mais emblemáticas, que é um lustre elaborado com tampões, não foi aceite na exposição por ser considerada inadequada. #Artes