Hoje celebram-se os 105 anos de existência da República em Portugal. No entanto, nos últimos anos, esta data tem sido esquecida pelas atuais forças políticas. O feriado deixou de existir a partir de 2013 e, este ano, o Presidente da República, Cavaco Silva, decidiu não fazer qualquer discurso sobre este dia. Revelamos alguns dos factos decorridos que levaram à implantação da República. 

Nos primeiros anos do século XX, "a influência do Partido Republicano cresceu. Minoritários no Parlamento, conseguiram conquistar munícipios nas urnas, com destaque para a Câmara de Lisboa. No partido e ao seu redor, gravitavam descontentes da monarquia, maçons, carbonários, mais radicalmente anticlericais",contam João Vasco Almeida e Rui F.

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Baptista no livro "Os 12 erros que mudaram Portugal".

Em 1908 Portugal e o mundo estavam em choque. A 1 de fevereiro daquele ano, em Lisboa, no Terreiro do Paço, o Rei D. Carlos e o seu filho herdeiro, D. Luís Filipe, foram assassinados a tiro no coche que os fazia regressar (juntamente com a rainha D. Amélia e o princípe D. Manuel) de Vila Viçosa. D. Manuel (II) viu-se assim forçado a a assumir o trono aos 19 anos. O reinado só durou 2 anos. D. Manuel II, assim como a sua mãe, foi forçado a abandonar o país e exilou-se em Inglaterra. 

Mas ainda em tempo monárquico, o Partido Republicano ganhou um novo alento para a sua causa: conseguiu colocar 14 deputados no Parlamento

A revolução de 5 de outubro juntou carbonários, maçons e até monárquicos descrentes. No entanto, apesar de o objetivo principal ter sido alcançado, existiu muita desorganização, confusão e até mortes que não era suposto acontecerem. No dia 3 de outubro, Miguel Bombarda o famoso psiquiatra que lutou arduamente pelo regime republicano, foi assassinado por um doente mental horas antes do início da revolução.

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No dia 4 de outubro os civis carbonários não cumpriram as instruções militares. Republicanos mediáticos (como José Relvas), preferiram não sair de casa. Na Cavalaria 2 o sargento não conseguiu segurar a maioria dos efetivos da Infantaria 2; desse modo, os civis da Cavalaria 2 decidiram que não deviam obedecer a uma ordem superior, optando então por... fazer um piquenique no Colégio Militar!

João Vasco Almeida e Rui F. Baptista, no livro "Os 12 erros que Mudaram Portugal", revelam que na madrugada e no dia da mudança, o Vice-almirante Cândido dos Reis foi vítima de uma informação errada. Um dos homens mais empenhados pela implementação da República, e que já tinha um histórico de duas revoltas (sem êxito) teve um triste fim: "Às primeiras horas da manhã daquele dia 5 de outubro, depois de receber informações contraditórias sobre a evolução da rebelião, acabaria por se matar numa casa abandonada, numa travessa à avenida que hoje ostenta o seu nome, em Lisboa".

Os 800 anos de Monarquia terminaram a 5 de outubro. Neste dia, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, era anunciado o novo regime português: a República.   #História #Curiosidades