Alejandro González Iñárritu foi homenageado pelo Museu de Arte de Los Angeles (LACMA), na sua 5ª Gala de Arte + #Cinema e, de acordo com o latina.com, o realizador mexicano não poupou nas palavras dirigidas ao candidato republicano às presidenciais norte-americanas. Durante seu discurso, o realizador mexicano agradeceu ao museu o seu trabalho realizado em direção à inclusão e a construção de um espaço que acolhe "todas as raças, idade ou classe social". Abordou também o papel do cinema na partilha de experiências humanas com diferentes tipos de pessoas, independentemente da sua origem. Mas também falou sobre aqueles que tentam segregar com a sua retórica de ódio. Embora nunca tenha mencionado pelo nome, ficou claro que Iñarritu se referia a Donald Trump nos seus comentários.

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"Infelizmente, hoje em dia, existem pessoas que propõem a construção de muros em vez de pontes", disse Iñárritu. "Devo confessar que debati bastante comigo mesmo, se deveria hoje à noite abordar este assunto delicado. Mas, à luz dos constantes comentários xenófobos que foram ditos recentemente contra os meus compatriotas mexicanos, fazê-lo tornou-se inevitável".

"Esses sentimentos têm sido amplamente difundidos pelos meios de comunicação e pelos media, sem qualquer tipo de vergonha, com o apoio e aplauso de vários líderes e cidadãos um pouco por todos os EUA. O cerne de tudo isto é tão ultrajante que pode ser facilmente ridicularizado num sketch do Saturday Night Live, como mero entretenimento, uma piada", disse o realizador. "Mas as palavras que foram ditas não são uma piada.

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As palavras têm poder real; e, no passado, palavras semelhantes provocaram um enorme sofrimento para milhões de seres humanos, especialmente ao longo do último século".

Apesar dos comentários de Donald Trump se dirigirem directamente ao povo latino, Iñárritu disse que os imigrantes de todo o mundo também estarão em perigo se esse comportamento continuar. "Não há ser humano que, tendo como seu maior desejo construir uma vida melhor, deva ser chamado ou declarado de ilegal ​​ou considerado como um ser descartável”, acrescentou. "Eu gostaria de propor que chamássemos essas pessoas de sonhadores indocumentados, como também o foram a maioria das pessoas que fundaram este país. Ao chamá-los desta forma, conseguimos assim iniciar uma conversa real e humana com o objectivo de chegar à solução, com a emoção mais preciosa, distinta e já esquecida, que um ser humano pode ter: Compaixão".

Veja o vídeo em baixo:

#Emigração #Eleições Americanas