Os Holodomor são uma nova banda de metal extremo brasileira com influências que incluem monstros clássicos como Hellhammer e Napalm Death, entre outros. Tendo sido o Brasil um dos países que ajudaram a moldar a face do metal extremo mundial, com bandas como Sepultura e Sarcófago, a conversa mais que se justificou. O nosso interlocutor foi o vocalista Thiago Silva que nos falou sobre a banda e sobre o seu recente lançamento, "Demo 2015" - que pode ser ouvido na íntegra no final da entrevista. Vamos então mergulhar no mundo extremo dos Holodomor.

Fala-nos um pouco de como os Holodomor surgiram.

A banda foi formada por volta de Março de 2015 em Manaus, Amazonas.

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Todos os membros já possuíam algum envolvimento prévio com a cena de punk/metal e já tentado desenvolver uma sonoridade mais extrema, voltada mais para o crust/punk, mas que, por motivos alheios às vontades de todos, acabou sempre por não dar em nada.  A força motriz do grupo é, essencialmente, o descontentamento com o tudo aquilo está ao nosso redor, seja na cena, na cidade, no país, no mundo, sempre tendo em conta o lema “Sem deuses, sem mestres, sem patrões”, não deixando espaço para qualquer tipo de racismo, machismo, misoginia, homofobia e tantos outros males que actualmente afligem a cena nossa região.

Holodomor é a palavra ucraniana para o plano genocida de Estaline na Ucrânia, onde milhares morreram à fome. Será o metal extremo uma forma de manter viva na memória as atrocidades do passado?

Um dos motivos pelos quais optamos pelo nome era porque procurámos algo que soasse forte e remetesse em parte tanto ao ambiente que gostaríamos de passar com nossa sonoridade, em momentos mais pesada e opressora, em outros mais agressiva e urgente.

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Acreditamos que faz parte do metal/punk analisar o que há de pior e mais obscuro no ser humano, bem como contestar as injustiças que nos cercam, logo, baptizar a banda com o nome de uma das maiores tragédias do século XX, muitas vezes esquecida, foi no mínimo adequado.

O vosso som é um misto entre death metal primitivo/grindcore e o elemento punk/crust. O que une essas duas vertentes é sobretudo a crítica social. No vosso caso, o que consideram mais importante, as letras e a mensagem ou a parte instrumental?

É impossível disassociar uma coisa da outra, na nossa opinião. Tentamos sempre manter tanto o som quanto as letras no formato mais directo possível, sendo reflexo daquilo que nos incomoda no quotidiano. O engraçado é que não nos víamos exactamente como uma banda de crust ou grind ou isso ou aquilo. Só queríamos tocar hardcore da forma que sabemos e o resultado está à vista.

Quais são as vossas expectativas depois do lançamento da "Demo 2015"?

Estamos impressionados com a receptividade até o momento.

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Recebemos alguns comentários positivos de blogs e também de editoras e outras bandas. Obviamente não tínhamos expectativa alguma! A banda é extremamente jovem, cerca de sete meses agora, esperamos conseguir manter o nível e ritmo de produção, espalhar este material ao máximo possível e, claro, marcar alguns bons espectáculos por aí.

Para quando o primeiro álbum e próximos planos?

Provavelmente regravaremos esta demo e mais algumas faixas para o disco de estreia, que deverá ser lançado algures ainda no primeiro semestre de 2016. Além disso, estamos a discutir a possibilidade de lançamento da demo em formato físico, split com a banda de grindcore/black metal Deuszebul, do nordeste brasileiro.

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