Portugueses e castelhanos descobriram diversos territórios no século XVI. E, como consequência, conheceram novas possibilidades alimentares. Alguns desses produtos acabaram por chegar ao continente europeu, revolucionando a gastronomia continental. O cacau e o peru conseguiram atingir rapidamente o sucesso. Os restantes (ananás, a batata doce, o milho maiz, o tomate), começaram a ser apreciados apenas nos séculos XVIII/XIX

O Peru, que se localizava entre a América do Norte e o México, foi, segundo David Felismino, no Livro "A Mesa dos Reis de Portugal", "domesticado pelos astecas e encontrado pelos castelhanos. Estes levaram-nos para Castela, e daí, a ave passou a Portugal".

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Numa fase inicial, na Europa, o peru era apenas consumido pelas mais altas classes sociais (sendo por exemplo presença regular na mesa da corte austríaca). Sabe-se que em Castela e em Portugal já era consumido no século XVI. No caso de Castela, existe a informação de que já nessa época eram preparadas várias receitas com essa ave. Em Portugal, no século seguinte, mais precisamente em 1680, o livro "Arte da Cozinha" (o primeiro da área gastronómica a ser publicado no país) incluía 24 receitas com peru.

Existem algumas informações relativas ao consumo de peru pelos reis portugueses. É por exemplo, possível, saber que, a rainha D. Luísa Gusmão (esposa de D. João IV), no seguimento de um auto de fé realizado a 15 de dezembro de 1647, ofereceu um jantar às suas damas. Entre vários pratos, constavam perus assados.

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O cacau começou a ser semeado regularmente pelos Maias, entre os séculos III e X. Aquele povo já o consumia como bebida e também fazia daquele produto o seu negócio. Estes conhecimentos chegaram a vários povos. No século XVI, os castelhanos perceberam que os astecas admiravam muito o cacau... e em 1585, chegou a Sevilha. 

Em Portugal, o cacau chegou mais tarde. No Brasil (Amazónia), apenas no século XVII os índios começaram a prestar atenção a este produto. Mas a monarquia portuguesa, consciente do seu valor, ordena a 1 de novembro de 1677 que se cultive, seguindo-se um trabalho de divulgação comercial do cacau (especialmente na França). Curiosamente encontram-se novas zonas no Brasil que reúnem as condições certas para a produção do cacau, nomeadamente a Baía e o Maranhão. A Companhia de Grão-Pará e Maranhão, através de Belém, passou a ser o principal fornecedor de cacau a partir de 1760). 

Na Europa, passou a ser uma tradição as classes mais elevadas beberem chocolate. Na Espanha era um hábito do quotidiano; já em Portugal, essa era um tendência normalmente vista apenas em festas. No entanto, relatos de 1670 indicam que, o rei português D. Afonso VI teve alguns problemas de saúde, devido a excessos. O chocolate, o tabaco, e comer eram os seus grandes vícios. #Culinária #História #Alimentação