Os Fear Factory regressaram ao nosso país no passado dia 15 de Novembro para um concerto memorável. A banda norte-americana, que nos visitou pela última vez há pouco mais de três anos, início no dia 7 de Novembro a digressão europeia que visa celebrar as duas décadas do álbum clássico “Demanufacture”, com o mesmo a ser tocado na íntegra. Foi razão mais que suficiente para que o Paradise Garage estivesse quase esgotado. Embora o interesse principal do público fosse o metal industrial, que foi rei e senhor, outros estilos também tiveram a voz e boa aceitação por parte do público.

Ainda com a sala a meio gás, subiram ao palco os Dead Label, irlandeses donos de um som poderoso que juntava tanto a escola nova do metalcore como a mais tradicional do death/thrash.

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O power trio agarrou o seu espaço em cima do palco e abanou as fundações do Paradise Garage, gozando de um som equilibrado. A actuação foi curta mas memorável, fazendo com que ganhasse mais alguns fãs. Com um novo álbum prestes a sair (cujo tema título, “Throne Of Bones”, foi apresentado ao público), a banda irlandesa cumpriu na perfeição o seu papel de banda de abertura e mesmo que não tenha havido muito movimento na plateia, pelo menos comparado com aquilo que o seu som pedia, a aprovação foi consensual.

Os senhores que se seguiram foram os Once Human, que aparentemente poderiam parecer apenas como uma cópia dos Arch Enemy mas acabaram por se revelar como algo mais que isso. Contando com a presença de Logan Mader, ex-Machine Head e ex-Soulfly, e com uma vocalista com um vozeirão, a sua actuação acabou por trazer um misto de emoções.

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Se por um lado a componente sinfónica servia para afastar as comparações a Arch Enemy, a pose de Lauren Hart remetia directamente para Angela Gossow, a ex-vocalista da banda de death metal melódico. Ainda assim, e tirando apenas algumas falhas a nível de som onde o bombo da bateria e o baixo se deixavam de ouvir, foi uma actuação bastante segura para uma banda que acabou de lançar o primeiro álbum. De salientar a versão de "Davidian", #Música que Logan Mader co-escreveu nos tempos de Machine Head e que o público entoou praticamente por completo.

O momento mais esperado tinha chegado finalmente e o início de “Demanufacture”, o tema, fez-se ouvir para delírio do público. Para muitos era a oportunidade de uma vida ouvir estes temas tocados ao vivo e a aura de entusiasmo pairava no ar. “Self Bias Resistor”, “Zero Signal”, “Replica” vieram logo de seguida e arrepiaram pela forma como o público lhes corresponderam, cantando em muitos momentos do início ao fim – aliás, algo que aconteceu ao longo de todo o concerto.

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Com uma prestação irrepreensível (tirando uma escorregadela ou outra nas vozes limpas por parte de Burton C. Bell), havia motivos reais para toda a euforia, havendo apenas alguns pormenores a nível de som que tenham impedido de atingir a perfeição.

Para o encore estaria reservada a passagem a “Obsolete”, álbum também muito querido pelo público, como comprovou o entusiasmo com que “Shock” e “Edgecrusher” foram recebidos. Também não passou despercebido o novo álbum que a banda lançou recentemente, “Genexus”, com uma “Soul Hacker”, “Dielectric” e “Regenerate” a diluírem-se no meio de todos os clássicos tocados até então. A gratidão por parte da banda, representada pelo discurso de Bell foi uma constante e como prenda para os fãs mais antigos, tocaram em forma de encerramento “Martyr”, do primeiro álbum “Soul Of A New Machine”, relembrando que além de comemorarem os 20 anos de “Demanufacture”, também a banda comemorava os 25 anos de existência. Da forma como foi sentido pelo público, foi como uma verdadeira celebração.