Poucos meses antes do regicídio, onde perdeu a vida juntamente com o seu pai, o rei D. Carlos, a 1 de julho de 1907, o jovem D. Luís Filipe (príncipe de Portugal, herdeiro número ao trono), a bordo do navio África, iniciou uma longa viagem ao continente africano.  A saída teve lugar no Cais do Arsenal, no Terreiro do Paço. O povo, elementos da corte e do governo assistiram à partida. Em cerca de 900 anos de monarquia, foi a primeira e única visita oficial de um chefe de estado ou seu familiar a África. Esta viagem começou a ser idealizada com um mês de antecedência (em junho de 1907) pelo embaixador em Londres, Marquês de Soveral e o ministro da marinha e do ultramar, Aires de Ornelas

De acordo a revista Visão #História, num almoço que decorre no Hotel Bragança, aquelas duas personalidades abordaram as "(...) acusações feitas a Portugal pelas sociedades antiesclavagistas britânicas.

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William Cladbury, proprietário da empresa de chocolates Caldbury, estava no centro da discussão. Afirmava o inglês que a escravatura era ainda praticada no arquipélago de São Tomé, local de onde provinha o cacau que abastecia a indústria britânica de chocolate".

Para ultrapassar estes problemas, Aires de Ornelas desejava fazer uma viagem a São Tomé e Príncipe e a Luanda. O embaixador de Londes propôs que o príncipe D. Luis Filipe também fosse. A ideia acabaria por ser tomada em conta. A comitiva integrou ainda alguns negociantes, oficiais, um inglês e até... 3 republicanos (que partilharam algumas refeições com o príncipe)! 

 A rota acabou por ser mais extensa. Para além dos planos iniciais de Aires de Ornelas, também foram incluídos: Moçambique, Cabo verde, África do Sul e outros locais de Angola. Sabe-se que, para ocupar o tempo no navio, de dia, eram feitos vários jogos e disparava-se contra golfinhos, tubarões ou em garrafas.

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O bridge e a música eram os grandes entretenimentos para passar a noite. 

São Tomé

A primeira colónia a ser visitada foi São Tomé.

Em quase de 900 anos de monarquia,  esta visita real ao continente africano foi a primeira e única. A 12 de julho, o príncipe real e a restante equipa foram recebidos pela população local e não só com euforia. Na Sé, ouviu-se o hino nacional. E houve ainda tempo para o príncipe ser recebido no Palácio do Governador e na Câmara Municipal. 

Neste arquipélago, o príncipe deslocou-se a algumas roças, como por exemplo Água Izé e Boa Entrada.

Esta visita não era feita por acaso. Pretendia-se assegurar ao mundo que não existia escravatura nas roças. Os jornalistas, que acompanhavam todos os passos do príncipe, ajudaram a realizar esse desejo. 

D. Luís ficou encantado com a natureza, com os animais e até mesmo com a organização dass roças. O Príncipe voltaria a Cabo Verde já durante a viagem de regresso a Portugal. A 22 de setembro dizia adeus ao continente africano.

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Angola

Durante 5 dias o Príncipe esteve na atual capital de Angola. Teve a sua estadia paga por (insistência de) Paiva Couceiro, governador de Angola. D. Luís fez várias inaugurações e visitou a companhia de Açúcar, a Fazenda Tentativa.

Na viagem de regresso a Portugal, o Príncipe ainda voltou a Luanda, mas esteve também noutros locais (Lucala, Benguela, Lobito).

O destino seguinte foi Moçambique, numa viagem que durou 9 dias. 

Moçambique

A 29 de julho, a comitiva é recebida em Lourenço Marques com 3 tiros. Para além dos habitantes, estavam também presentes algumas pessoas que tinham vindo da África do Sul!

O príncipe considerou que a cidade era mais civilizada do que Lisboa. 

 

África do Sul

D. Luís chega de comboio, via Lourenço Marques, a Pretória. A sua presença no território inglês era uma forte tentativa de fazer as pazes com os ingleses, depois do ultimato de 1890. Teve encontro marcado com o alto-comissário da África do Sul, Lorde Selborne. Um homem que não foi dado simpatias e quebrou o protocolo em várias situações.

Apesar desses acidentes, o príncipe conheceu vários sítios na África do Sul. A 31 de agosto, dava por terminada a sua visita. #Curiosidades