A Família Médici foi uma das mais poderosas (em distintas áreas) na era do Renascimento italiano. Como tal, não é de admirar que tivesse vários inimigos. Em abril de 1478 os irmãos Lorenzo e Julião Médici foram surpreendidos pelos seus opositores em plena Catedral de Florença. O primeiro conseguiu escapar, o segundo morreu.

A influente família Pazzi, que na verdade foram os homicidas de Julião, foram dados como os únicos culpados deste crime até há bem pouco tempo. Surgiu no entanto uma carta, redigida pelo conde e duque de Urbino (Frederico II de Montefeltro), tido como amigo dos Médici, que foi descoberta em 2000 pelo historiador (então estudante) Marcello Simonetta nos arquivos da cidade de Urbino.

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Marcelo Simonetta já tinha analisado anteriormente duas cartas. Teve a clara impressão que Frederico II era um falso amigo dos Médici. Marcelo quis saber mais sobre este crime. Decidiu consultar o Arquivo de Urbino. No entanto, não foi fácil entrar naquele local. Foi necessário um longo tempo para conseguir convencer as autoridades locais. Ali encontrou cartas do século XV que estavam guardadas num dossier, dentro de uma caixa. Surpreendentemente, aqueles documentos nunca tinham sido analisados. 

Ao deparar-se logo com aquelas informações verificou que tinham a letra da chancelaria de Urbino. Outro dado curioso foi uma estranha carta que devia ter uma mensagem secreta. Apresentava letras gregas, diversos símbolos e números. Sobre esse documento específico foram poucas as conclusões possíveis de tirar à vista desarmada.

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No entanto, foram encontrados importantes dados: a carta foi escrita em fevereiro de 1478 e foi enviada para o embaixador do duque de Roma. 

Simonetta pensou que talvez se conseguisse perceber o código secreto da carta, poderia desvendar mais sobre o crime dos Médici. E na verdade assim foi. 

Graças ao diário do seu antepassado Ciro Simonetta, o historiador encontrou forma de decifrar os códigos. Depois teve em conta uma carta do seu antepassado e outra que foi recebida pelo embaixador do duque de Roma. Compreendeu que existiam algumas semelhanças (por exemplo, uma letra pode estar associada a dois símbolos).

As revelações do código secreto

A carta foi enviada para o papa Sisto IV (o que segundo o historiador, comprova que o Papa soube sempre do plano). O mentor do crime foi nada menos, nada mais que...o duque de Urbino! Os Pazzi estiveram envolvidos como os executores.

De acordo com o livro "Grandes Mistérios da História", o estudo de Marcelo Simonetta revela ainda que "a carta pormenorizava que as tropas estavam preparadas, esperando sustentar o novo regime por marionetas do Pazzi. (...) O duque teve os meios, os motivos e as oportunidades de levar avante o violento ataque".

Esta investigação conclui assim que o plano de assassinato dos Médici envolveu não só nomes mediáticos de Florença, como de outros estados da atual Itália. #História #Curiosidades