A 1 de novembro de 1755, dia de Todos os Santos, Lisboa viveu o dia mais triste da sua #História. Um terramoto, um tsunami e um incêndio (que durou vários dias) invadiram a capital portuguesa (com efeitos que se fizeram sentir em várias localidades de Portugal e não só). Grande parte de Lisboa foi arrasada e perderam-se milhares de vidas. Esta desgraça é considerada uma das maiores tragédias naturais que o mundo já conheceu. No entanto, com o consentimento do Rei D. José, a coragem, a genialidade e rápida intervenção de Marquês de Pombal, fizeram re(nascer) Lisboa.

O homem de confiança do rei teve, sem dúvida, um doloroso e complexo trabalho pela frente.

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Possivelmente, o mais difícil de toda a sua vida. Contudo, as suas medidas foram muito bem sucedidas para a recuperação de Lisboa, sendo ainda hoje reconhecido o seu mérito. Prova disso mesmo são as palavras de José Hermano Saraiva e Maria Guerra na obra Diário da História de Portugal:  "A nova cidade, exemplar único do urbanismo das Luzes, foi planeada com régua e compasso pela Razão (...)" -

Pode-se dizer que o trabalho do Marquês de Pombal assentou em 4 perspetivas: sepultar as vítimas da tragédia (estima-se que 10% da população de Lisboa tenha perdido a vida), tratar dos sobreviventes (entre outra medidas: orientou recursos para os tratamentos aos feridos); vigiar os principais locais da cidade de forma a evitar crimes (o caos estava instalado; as prisões não escaparam à catástrofe e, assim, os reclusos sobreviventes fugiram e ajudaram a espalhar o pânico na cidade); implementar novas estratégias urbanísticas e arquitetónicas

Haveria certamente muito a dizer sobre todas as intervenções de Marquês de Pombal, mas é sobre a reconstrução de Lisboa que damos aqui a nossa especial atenção. Para tal, o então ministro português, contou com a importante ajuda de especialistas portugueses e estrangeiros (Manuel da Maia, Eugénio dos Santos e Carlos Mardel). 

 A cidade foi re-erguida, tendo sempre o cuidado de criar condições para minimizar os efeitos de uma eventual nova catástrofe.

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Melhoraram-se os cuidados de saneamento, criando-se aquilo que é designado por " rede geral de esgotos"; as ruas passaram a ser mais amplas; foram implementados muros (conhecidos como corta-fogos), que protegiam os edifícios de possíveis incêndios; os prédios construídos passaram a ser mais baixos do que os da antiga Lisboa; as casas que foram construídas passaram todas a ter o mesmo tamanho.

Outra das medidas foi a estacaria de madeira, um método que foi aplicado à Baixa de Lisboa e às casas que se encontravam perto daquele local.  Eram "feitas de pinho verde, necessitaram apenas da água do Tejo para se manterem de boa saúde (...)", conta a revista Super Interessante. Mas afinal qual era exatamente o seu papel? Segundo a mesma revista, eram parte importante de "uma espécie de grelha, com estacas na vertical e longarinas na horizonta l- tinham de suportar as paredes externas dos edifícios mas também as gaiolas internas". Esta técnica, completamente original, permitia assim que, na eventualidade de existir um novo sismo, apenas uma das fachadas fosse atingida.

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Vale a pena referir que, a estacaria pode atualmente ser visitada (no âmbito de uma exposição) no Museu do Dinheiro, no Banco de Portugal.  #Curiosidades