Portugal é um dos países mais antigos do mundo, datando de 1143 quando foi assinado o tratado de Zamora entre Afonso VII de Castela e D. Afonso Henriques, futuro rei das terras lusitanas. Foi este mesmo tratado que veio a instaurar a independência do Condado Portucalense face ao reino de Leão e D. Afonso Henriques tornou-se assim no primeiro rei de Portugal. Ao total são quase 900 anos de #História; aliás, só somos suplantados pelo nosso maior e mais antigo aliado, a Inglaterra (1066) e pelos impérios orientais que parecem ser imunes à passagem do tempo.

Assim sendo, não seria de todo estranho encontrar um caso caricato e meio estranho perdido pela Idade Média.

Publicidade
Publicidade

Este é o exemplo de uma das histórias mais estranhas do nosso velho país.

Filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela, D. Dinis foi o sexto rei de Portugal. Reinou durante quarenta e seis longos anos, de 1279 a 1325, de forma inteligente e implementou várias reformas pelo território nacional. Salvou a Ordem dos Templários em Portugal, batizando-os de Ordem de Cristo. Travou guerra com Castela, mas acabou por resolver o confronto de forma diplomática ao obter as vilas de Moura a Serpa, territórios para lá do Guadiana e a reforma das fronteiras de Ribacoa.

É conhecido como “O Lavrador” graças ao grande impulso que deu à agricultura durante o seu reinado, ou como o Rei-Poeta devido à sua obra literária, como a Magna Charta Privilegiorum, primeiro estatuto da Universidade, e a tradução de muitas obras.

Publicidade

D. Dinis foi um rei conhecido pela sua grande sabedoria e poder diplomático. E decretou pena de morte para o castigo do ato de “merda na boca”.

Encontramo-nos em plena Idade Média e nesta época há um costume um pouco estranho. Quando alguém quer ofender de forma bastante grave outra pessoa, enfia-lhe excrementos na boca, ou então envia alguém para fazer esse serviço. Este tipo de agressão ficou vulgarmente conhecido como “merda na boca”. Foi então que o rei D. Dinis decidiu tomar uma posição face a este crime e tornou-o punível com a pena de morte. Este castigo deveria ser aplicado tanto a homens como a mulheres; D. Dinis ficou também conhecido por não fazer grande distinção entre sexos para a época.

É importante mencionar que para esta altura a palavra “merda” não tinha a conotação ofensiva que tem nos nossos dias, chegando mesmo a aparecer em textos legais nos séculos XI e XII, como na lei de D. Dinis sobre este #Crime: “Que pena deve ter aquele que meter merda na boca: Dom Dinis (…) estabelecemos e pomos por lei que todo o homem ou mulher que a outrem meter ou mandar merda em boca que morra porém”. #Curiosidades