Janeiro já está a chegar ao fim e já provou que este ano de 2016 será tão rico como 2015, como pudemos comprovar ao longo do ano e no nosso balanço do anterior ano no que à música pesada diz respeito. Tal como aconteceu em Dezembro de 2015, também Janeiro de 2016 provou ser variado nas melhores propostas apresentadas. Das sonoridades mais tradicionais às mais extremas, houve de tudo um pouco. Salientamos também que muitas ficaram para trás, mas infelizmente não temos tempo nem espaço para mais. Sem demoras, mergulhemos então no melhor que Janeiro de 2016 nos apresentou.

Comecemos então pelo black metal dos Helheim, que regressaram para o oitavo álbum de originais, “raunijaR”, que nos faz questionar o porquê desta banda soar como se fosse um segredo muito bem guardado da cena extrema norueguesa.

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Apelo épico e pagão, juntando a herança Bathory ao espírito black metal, resultando num grande álbum. Pegando em algo mais tradicional temos os Brimstone Coven, que juntam em “Black Magic” o bom som do hard rock da década de 70 (aquele que está na base do heavy metal que tem nas suas origens os Black Sabbath) e mostram-nos que este estilo de #Música é imortal.

Do proto-heavy metal dos Brimstone Coven ao doom metal dos Hooded Eagle temos uma curta distância, embora o ambiente de “Nightscapes From The Abyssal Plane” seja bem mais soturno. O equilíbrio perfeito entre os movimentos arrastados do funeral doom e a melodia do doom metal clássico. Assim como os Hooded Eagle, também os Lycus apresentaram uma obra de arte composta por quatro longas músicas na forma de “Chams”. O doom metal continua em alta em 2016.

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No espectro do death/ thrash metal, tivemos os In Malice’s Wake, com “Light Upon The Wicked”, que fará qualquer fã de música pesada olhar com outros olhos para a Austrália, muitas vezes destino esquecido no que ao metal diz respeito. Da violência, peso e frenesim metálico passamos para a serenidade, sensibilidade e melancolia progressiva dos Delvoid que, com “Serene”, têm um dos grandes destaques do rock/metal progressivo. A qualidade deste trabalho é tão grande que discernir qual o género exacto torna-se secundário. No campo oposto, “As Nations Fall” dos croatas Infernal Tenebra, debita um death metal melódico de qualidade inquestionável, assegurando que não há estilos gastos, apenas falta de criatividade.

Os Steak Number Eight já provaram há muito tempo que mesmo não tendo o reconhecimento que merecem, isso não os impede de lançarem álbuns de qualidade assombrosa. “Koskoma” é um festim de rock, pós-rock, metal, pós-metal, progressivo, experimentalismo, música orgânica… algo a que qualquer apreciador de música intensa e orgânica não conseguirá ficar indiferente.

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No black metal, tivemos o regresso dos franceses Hegemon, que mostra que é possível fazer black metal melódico e mais importante que isso, fazê-lo com consistência. “The Hierarch” é obrigatório para quem já tinha saudades de ouvir black metal com arranjos instrumentais de guitarras (acústicas e eléctricas), baixo e bateria de luxo.

Chegamos ao álbum do mês, uma banda que ao longo da sua carreira conseguiu reunir consenso entre os fãs e crítica, com um death metal tão brutal como técnico. Incapazes de ficar no mesmo sítio e de fazer a mesma música duas vezes, os Obscura sempre mostraram um grau de evolução impressionante a cada um dos seus trabalhos lançados e "Akróasis" não é excepção. A fazer lembrar os melhores momentos dos míticos Death, este trabalho é delicioso prato de death metal técnico e progressivo, mostrando-se não só mais acessível a todos os apreciadores de outros géneros, mas também mais sólido. Abaixo é possível comprovar todo esse poderio.