Pode um rei ser condenado à morte já depois de morto? Parece que segundo a Inquisição portuguesa pode. Este é o caso peculiar do rei D. João IV que faleceu em 1656 devido a “mal da gota e da pedra”; por outras palavras, morreu devido a uma crise renal grave. Sucedeu-lhe no trono o seu filho ainda menor, o Infante D. Afonso, ficando a rainha, D. Luísa, como regente do Reino.

Filho de D. Teodósio, duque de Bragança e de D. Ana Velasco, D. João IV casou-se em 1633 com D. Luísa de Gusmão, espanhola da casa de Medina Sidónia. Foi o 21º rei de Portugal e o fundador da Dinastia de Bragança. Ficou conhecido na #História portuguesa como o “O Restaurador”, por ter restaurado a independência do país, uma vez que Portugal estava nessa altura a ser governado por uma Casa Real estrangeira, a Casa de Habsburgo, devido aos constantes casamentos entre a realeza portuguesa e a espanhola.

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Também é conhecido como o “O Afortunado”, uma vez que foi necessária a intervenção da sua esposa para o então duque de Bragança decidir-se a exercer o seu direito por nascimento: reinar em Portugal. É de salientar que também foi um grande artista e letrado, grande amante de música e compôs o hino Adeste Fideles.

Rivalizando com a sua história enquanto vivo, o Rei D. João IV foi, segundo o site Vortex Magazine, também protagonista de uma história bastante caricata já depois de morto. Ao longo da sua vida criou vários inimigos e como rei ousou defender os interesses do reino contra os do Santo Ofício. Foi durante a sua cerimónia fúnebre que enviados da Inquisição de Portugal invadiram a Igreja e, sem qualquer tipo de cerimónia, retiraram o cadáver do rei do caixão e colocaram-no no chão. O ultraje continuou, ao despirem o hábito de São Francisco e o manto da ordem de Cristo que o rei envergava.

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Para tornar a situação ainda mais insólita, um dos inquisidores leu um acórdão que amaldiçoava o rei, declarando-o inimigo da Igreja e, para surpresa de todos, o condenava à morte e ao fogo eterno no Inferno. Num último ato de compaixão para com o rei que restaurou a independência de Portugal, foi decidido absolver o cadáver real, livrando-o da maldição do fogo eterno no Inferno. Voltou-se a colocar o morto no caixão e ainda se cantou um Te Deum. D. João IV, conhecido amante de música e compositor, decerto que gostou desta última atenção. Descansa no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. #Curiosidades #Religião