Angélica Dass, artista e fotógrafa brasileira, iniciou o seu projecto denominado Humanae em 2012 com o objectivo de produzir um catálogo cromático de todos os tons de pele do mundo. A viver em Madrid (Espanha) há dez anos, Angélica já fotografou mais de 3 mil pessoas, em 13 países diferentes. Pretende continuar a fazê-lo com um único propósito: "Quero captar as nossas cores, em vez de sermos rotulados como branco, preto, amarelo, vermelho, associados a raças", disse à imprensa.

O que é o Pantone?

O sistema cromático PANTONE® é um dos sistemas usados para classificar as cores. A cor é representada por um código alfanumérico que permite recriar uma determinada cor com exactidão.

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O método de trabalho de Angélica assemelha-se, como a própria afirma, a uma terapia. A artista monta um estúdio no qual passa cerca de 15 minutos a fotografar cada pessoa sobre um fundo branco. Através de programas informáticos, Angélica capta a cor do nariz do fotografado e usa-a para colorir o fundo branco. Por baixo da fotografia, a artista coloca o código da cor de referência Pantone.

Com este projecto, a fotógrafa chegou à conclusão de que os tons de pele podem variar desde "cor de lagosta", "baunilha e iogurte de morango" ou até mesmo "uma mistura de café com leite, mas com mais café". É, segundo a própria, como um espelho para aqueles que não se sentem inseridos em nenhuma "raça". A questão do tom "cor de pele" dos lápis de cor é desmistificada com o projecto de Angélica Dass - para a artista, esta designação pode gerar problemas de identificação e auto-estima.

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Em Fevereiro de 2016, a fotógrafa apresentou o projecto Humanae no TED Talks: uma conferência que juntou vários autores em Vancouver (Canadá) para falar das suas ideias. A própria Angélica Dass disse inserir-se no grupo daqueles que não se vêem representados em nenhum rótulo: a sua avó tem uma pele cor de porcelana e cabelo de algodão; a mãe tem um tom de pele cor de canela e mel; e o pai, tom de chocolate negro. Afirmou ter nascido no seio de uma família "cheia de cores", mas que, embora dentro de casa não fosse um problema, na rua já não era bem assim. "O Brasil é um dos piores lugares do planeta para nascer negro. Há um racismo institucionalizado e escondido", disse durante a sua palestra no TED.

As suas fotografias tiveram direito a lugar em galerias e exposições ao ar livre nos Estados Unidos, Holanda, Noruega, Argentina, Itália e Uruguai.

Pode ver a palestra de Angélica Dass no TED Talks aqui:

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