A Rua da Conceição, em Lisboa, esconde debaixo da superfície um monumento da época romana apenas visitável pelo público duas vezes por ano. As famosas Galerias Romanas da Rua da Prata abriram pela última vez ao público nos dias 15, 16 e 17 de abril, dando oportunidade a que mais de 3000 pessoas visitassem 1/3 do monumento que já resistiu a todos os terramotos que ao longo de dois milénios se sentiram na cidade.

O monumento foi descoberto em 1770, quando se procedia à reconstrução da baixa de Lisboa depois do terramoto de 1755. Lídia Fernandes, arqueóloga do Museu de Lisboa, conta no que consiste a descoberta: “É um criptopórtico, ou seja, é um sistema artificial de galerias que servia para criar uma plataforma artificial e que tinha duas funções principais: por um lado, de preencher um enorme vazio que existia neste vale pré-existente, portanto, uma zona de grande declive e que, com a criação desta plataforma artificial, permitia a ligação entre o sopé das duas colinas – Colina de S.

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Francisco e Colina da Madalena. Por outro lado, funcionava também como suporte de outros edifícios de época romana que hoje não sabemos quais é que seriam, mas que teriam sido construídos em cima desta plataforma artificial”.

Este edifício romano continua a assegurar a sua função de alicerce que passou a ter quando foi descoberto em 1770. Foi logo usado como alicerce dos edifícios pombalinos que estavam a ser construídos e continua a manter essa função.

O monumento abre ao público duas vezes por ano. Quando as galerias estão fechadas, estão inundadas com água que ultrapassa 1 metro de altura, proveniente de lençóis freáticos que ainda existem por baixo do pavimento de Lisboa. Para abrir as galerias ao público é preciso uma logística bastante complexa, que implica retirar toda a água e bombear permanentemente a origem da entrada da mesma.

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Tem de haver a participação dos serviços da Câmara Municipal, dos bombeiros, da polícia, e cortar o trânsito, daí que o local seja aberto ao público apenas duas vezes por ano. No entanto, está em estudo a possibilidade da sua abertura permanente.

Novo sistema de inscrição

Na última vez que foi aberto, em abril, as inscrições esgotaram em menos de 3 horas. Mais de 8.500 pessoas ficaram em lista de espera. Antes, as visitas eram feitas por fila e as pessoas chegavam a ficar 7 horas à espera. Agora, o Museu de Lisboa adotou o sistema de inscrição através da sua página no facebook. Também agora se adotou o sistema do pagamento de 1 euro para realizar a visita. O valor é simbólico e é apenas pago por visitantes maiores de 12 anos, mas evita que as pessoas façam a inscrição e depois não apareçam.

A próxima abertura ao público será em setembro. Os interessados em fazer a visita deverão manter-se atentos ao facebook do Museu de Lisboa. #Turismo #Família #Por onde anda...