Em 2010, Tim Burton reinventou o conto infantil de Lewis Carroll e deu um toque mais sombrio ao País das Maravilhas. Na narrativa original, Alice deambula e vai conhecendo as diferentes personagens, retirando de cada uma lição. A versão Disney quis tornar as personagens mais densas e dar à história um enredo mais complexo. O resultado final foi um filme cansativo, que se vai arrastando, cheio de reviravoltas... E muito pouco memorável.

Seis anos depois, é chegada a altura de revisitar Alice e de seguir as suas mais recentes aventuras. E, felizmente, a sequela acerta onde o primeiro filme falhou. Temos um filme que, não sendo extraordinário, é bastante bom.

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E assim já vale a pena ir ao #Cinema - sim, porque tanto este como o primeiro, em termos visuais, são #Filmes dignos de ver no grande ecrã.

E são esses os primeiros aspetos a merecer destaque. Os cenários - assim como o impressionante guarda-roupa - são elementos que assumem um papel de relevo na construção da história. As cenas finais de destruição quase parecem pinturas ou ilustrações e deixam qualquer um abismado. Sem dúvida, um dos pontos fortes da saga.

Quanto ao casting - mais uma vez recheado de grandes nomes do cinema - temos performances boas e outras que ficam um pouco aquém. Mia Wasikowska traz-nos uma protagonista mais madura e com mais personalidade. Claro que esta Alice não deixa de piscar o olho a Lewis Carroll de vez em quando, repetindo mais vezes do que seria necessário a expressão "curioso"; mas não deixa de ser uma heroína forte e que nos faz querer acompanhá-la ao longo da história.

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Contudo, outras personagens de relevo - como é o caso do Chapeleiro Louco - não convencem. Johnny Depp tem um ar cansado, gasto, talvez um pouco "louco" até - e, infelizmente, desta vez não é no bom sentido.

Sacha Baron Cohen, que interpreta o Tempo, foi uma boa adição ao elenco e funciona bem ao lado de Helena Bonham Carter que, mais uma vez, nos traz uma Rainha de Copas envolvente. Por outro lado, a sua irmã no ecrã, Anne Hathaway, falha como personagem, com os seus trejeitos e gestos exagerados que não acrescentam nada à trama. Uma última menção ao falecido Alan Rickman que, não tendo mais de cinco minutos de ecrã, marcou o filme com a sua voz sonante e singular e nos deixou todos um pouco nostálgicos.

O enredo não é nada de excecionalmente novo e quase podemos adivinhar o final, por altura do intervalo do costume. Tendo esgotado os livros de Lewis Carroll, os argumentistas resolveram apostar numa nova intriga com viagens no tempo. Mas, por sorte, não caíram nos típicos paradoxos e pontas soltas, e conseguiram levar a história a bom porto. O filme consegue prender o espetador durante quase duas horas e, quando acaba, pelo menos não deixa ninguém com a sensação de que mais valia ter ficado em casa a atualizar as séries do Netflix. O que já é bem mais do que se podia dizer do primeiro. #Entretenimento